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DOC COLARES

colares-vinha

A região vinícola de Colares, um pouco mais distante de Lisboa do que a sua vizinha, mas também nobre, região de Carcavelos, não terá atingido actualmente uma posição tão crítica quanto esta, mas não se afasta muito. Uma área de vinte hectares será apenas o que hoje se pode contar para a produção do Colares típico, o Colares de Chão de Areia. É uma constatação amarga, ainda mais amarga quando a perspectiva futura é a de uma cada vez maior redução, ou seja, a esperança de manutenção é curta.

A época de início do cultivo da vinha em Colares é questão de resposta difícil, sendo certo, contudo, que é anterior à fundação da nacionalidade, porquanto entre os reduzidos tributos com que em 1154 D. Afonso Henriques galardoava os habitantes de Sintra já figurava o vinho.

D. Afonso III incentivou o cultivo, doando as terras com a obrigação de plantar vinhas e condenando aqueles que as cortavam.
A produção foi mantendo as exigências do mercado, ultrapassando mesmo o necessário ao consumo, até quando do surto filoxérico que grassou no país, dada a particularidade do sistema de instalação da vinha no chão de areia de Colares, onde o insecto devastador não lograva alcançar as raízes profundas das videiras.

A redução de produção que de forma notória afectou todo o país terá promovido uma maior procura do vinho desta região.
A carta de Lei de 1908 reconhecendo Colares como vinho de tipo regional, foi o diploma que criou a região demarcada, património de elevado grau de raridade, senão único, em todo o mundo vitícola.

A região está confinada a uma zona de terrenos de areia solta da era terciária, assente sobre uma zona argilosa do cretáceo, que em tempos recuados se admite ter sido pertença do mar e onde as videiras desenvolvem as suas raízes.

O clima é marcadamente mediterrânico, mas de sub-tipo oceânico e com frequência se fazem sentir os ventos húmidos do mar, soprando por vezes com violência.
O actual estatuto da Região Vitivinícola de Colares foi publicado em 1994, pelo Decreto-Lei nº 246/94, de 29 de Setembro. Para além da delimitação da área de produção e de outras especificações adequadas, com relevo para as castas, é de destacar no âmbito das práticas culturais a obrigatoriedade de, na plantação das vinhas em chão de areia, se respeitar a prática tradicional de “unhar” a vara de pé franco no estrato subjacente à camada de areia. Outrossim refere-se ao indispensável estágio, dadas as características ásperas do ramisco novo, pelo que a comercialização do vinho tinto só é permitida após um estágio mínimo de 18 meses em vasilhame de madeira, seguido de 6 meses em garrafa, períodos estes que para os vinhos brancos são reduzidos respectivamente a 6 e 3 meses.

São estas as condições de produção de um vinho que nos dias de hoje se limita à reduzida cifra de 100 hl, valor bem distante dos 1.276.041 litros de vinho tinto das vinhas de areia, referenciados à colheita de 1930 pelo professor Gonçalves Pereira na sua tese na Faculdade de Letras de Toulouse, em 1932, e na qual dá grande destaque à exportação, sobretudo para o Brasil.

A REGIÃO DEMARCADA DE COLARES

 

Limitada a Oeste pelo Oceano Atlântico e a Sul pela Serra de Sintra, a Região Demarcada de Colares compreende as freguesias de Colares, São João das Lampas e São Martinho, do Concelho de Sintra.

Colares é Denominação de Origem Controlada desde 1908, a região Demarcada mais ocidental da Europa Continental e a mais pequena região produtora de vinhos tranquilos do país.

Os solos onde estão instaladas as vinhas da denominação de origem são de areia de duna, em parte semelhantes à areia da praia.

O clima é muito específico devido à proximidade do mar, a temperatura é amena e a região é fortemente fustigada pelos ventos marítimos, apresentando elevada percentagem de humidade relativa. Assim, as vinha têm necessariamente que ser protegidas desta influência marítima e, para isso, os viticultores utilizam o que a natureza lhes oferece; canas secas com as quais constroem as paliçadas, concorrendo para um aspecto paisagístico digno de visita.

A plantação exige que, numa primeira fase, seja retirada a areia até alcançar o solo argiloso, local onde as varas serão “unhadas”. Ao longo de 3 ou 4 anos a areia vai sendo reposta, juntamente com aplicações de estrume, até que a vinha se encontre em terreno regularizado e em produção.

As videiras crescem estendendo-se pelo chão e são autênticos monumentos vivos, possuindo braços de madeira velha onde se encontram as varas, nalguns casos 10 por videira. Aquando da maturação estas são elevadas do solo por meio de “pontões”, e os cachos cobertos com ervas secas resultantes da operação cultural anterior, a “arrenda”, a fim de se evitar o escaldão.

A divisão da propriedade é feita com paredes de pedra solta que os viticultores transportam, por vezes, das vinhas que possuem de “chão rijo”.

É sem duvida alguma uma viticultura artesanal que apresenta o seu máximo esplendor durante a maturação, período que normalmente ocorre entre meados de Agosto e meados de Setembro.

COLARES, VINHOS DIFERENTES!

Para além de serem produzidos em condições de microclima muito especiais, este vinhos são provenientes de castas autóctones, ou seja, existentes exclusivamente na Região Demarcada.

O vinho tinto de Colares é ainda hoje feito de acordo com as técnicas tradicionais, sendo composto de cerca de 80% de uvas da casta `Ramisco` e 20% de outras castas, com predominância das castas `Molar` e `João Santarém`.

Quando jovem apresenta cor rubi, grande agressividade taninosa, características  que se vão esbatendo ao longo do estágio, o qual deve ser prolongado, em madeira e em garrafa, até atingir o auge das suas potencialidades (envelhecimento nunca inferior a 6 a 8 anos). Nesta, fase, a sua cor modifica-se para acastanhado ou alourado (casca de cebola) e, se o vinho for manuseado adequadamente (abertura da garrafa com antecedência e temperatura de 18 graus), constata-se uma complexidade aromática relacionada com frutos secos, nomeadamente pinhão, e com frutos vermelhos, muito agradável. O seu teor alcoólico raramente ultrapassa os 11.5 graus. A produção é muito escassa, não ultrapassando as 20 000 garrafas ano.

Quanto ao vinho branco, a casta é Malvasia de `Colares`, a qual dá origem a vinhos de cor citrina , aroma frutado e floral e gosto acídulo característico da mesma. Deve ser servido fresco. A produção média anual ronda as 15 000 garrafas, o que torna ainda mais escasso que o tinto.

 FONTE: CVR Lisboa

4 Comentários

  1. …infelizmente, vai ser mais uma guerra que o betão vai seguramente ganhar.
    …a vinificação do chão de areia foi sempre feita na mesma adega do outro Colares ??

    1. Mais uma guerra de imprevisível desfecho, caro Fernando Cadete. Cabe a carolas como eu e outros que escrevem e amam os vinhos e todo este património criar pressão sobre a opinião pública, no sentido de proteger tudo isto. A opinião pública e acima de tudo os consumidores têm a última palavra.

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