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Vinilourenço – Um produtor contra a corrente

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No passado dia 30 de maio, o Grupo Cegos por Provas deslocou-se à localidade de Poço do Canto (Douro superior) para conhecerem em primeira mão os vinhos deste produtor.

A visita foi guiada integralmente pelo proprietário Jorge Lourenço e pelo diretor comercial Rui Ló.

As vinhas, os solos e as castas

As vinhas começaram a ser plantadas na década de 80 por Horácio Lourenço que, retornado de Angola, se dedicou à construção civil. Nunca escondendo a sua paixão pela viticultura, investiu e aumentou ao longo destes anos o seu património vitícola.

Os vinhedos estendem-se por cerca de 45 hectares em diferentes localizações (Poço do Canto, Vale da Teja e Pocinho). No entanto, apesar de não ter todas as parcelas reunidas no mesmo local, o produtor acredita que é exatamente esse o seu fator de diferenciação. De facto, este acredita nas vantagens da possibilidade de tirar o máximo proveito do conjunto das propriedades e altitudes, que variaram entre os 200m e 650m, solos de xisto nas zonas mais baixas e xisto/granito nas zonas mais altas.

As castas no conjunto global são: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Barroca, Bastardo, Tinto Cão e Sousão (castas tintas), Malvasia Fina, Gouveio, Viosinho e Rabigato (castas brancas).

Os vinhos

A Adega com capacidade para 250.000 Litros foi construída em 2003, tendo a Viniloureço nascido apenas em 2006. Esta tem sido gerida por Jorge Lourenço, que assumiu a responsabilidade pela gestão do sector vitícola e pelo Professor Virgílio Loureiro, enólogo responsável pelas marcas Fraga da Galhofa e D. Graça.

A Vinilourenço apresenta vinhos de lote como é comum nesta região vinícola, mas curiosamente e como referimos no título, contra a corrente, os vinhos de topo de gama têm vindo a apresentar, de uma forma regular e com bastante qualidade, uma única casta. São exemplos desta orientação os vinhos feitos a partir de Touriga Nacional, Tinto Cão e Sousão nas castas tintas e de Viosinho e Rabigato nas castas brancas.

A prova

Os vinhos foram provados em duas situações distintas. Num primeiro momento, na adega testando algumas amostras de cuba. Num segundo momento, ao almoço com a apreciação do portefólio disponível no mercado, bem como algumas colheitas mais antigas para testar o seu potencial de envelhecimento.

Os vinhos desta prova ficam indelevelmente marcados pela boa acidez, frescura e excelente relação qualidade-preço que apresentam. Aqui ficam as notas:

  1. Rabigado 2014 (prova de cuba): nariz – mineralidade, fruta e biscoito; boca – ácido, fresco, herbáceo, amanteigado e com estrutura. Nota: 15.
  1. Viosinho 2014 (prova de cuba): nariz – floral, fresco e introvertido; boca – mineral, ácido, intenso, frutado e com final longo. Nota: 16.
  1. Espumante 2013: nariz – maçã, mel, fermento; boca – elegante, bolha finíssima, final ácido, com grande potencial. Nota: 16,5.
  1. Sousão 2013 (prova de cuba): nariz – fruta preta e madeira; boca – volumoso, bem estruturado, fruta madura, áspero, mentolado e com algum chocolate. Nota: 17.
  1. DG Branco 2014: nariz – fruta e frescura; boca – igualmente fresco e frutado, fácil. Nota: 15.
  1. Dona Graça Reserva Branco 2013: nariz – frutado e fresco, mas pouco expansivo; boca – polido, redondo, madeira bem integrada, fresco. Nota: 16.
  1. Rabigato 2013: nariz – mineral, fresco, flores e pedra; boca – boa acidez e mineralidade, herbáceo e untuoso. Nota: 16.
  1. Viosinho 2013: nariz – fresco, químico, ligeira borracha; boca – acidez, frescura, volume, manteiga, bom fim de boca. Belo vinho. Nota: 17.
  1. Vinhas Antigas Branco 2009: nariz – borracha e pêra cozida; boca – frutos cozidos, fumo. Bastante interessante. Nota: 17.
  1. Viosinho 2007: nariz – fruta cozida e borracha; boca – igual ao nariz, mas a decair. Nota: 15,5.
  1. DG Tinto 2012: nariz – fruta vermelha e esteva; boca – dócil, frutado, redondo, bem feito. Nota: 15,5.
  1. Dona Graça Reserva Tinto 2011: nariz – fruta vermelha, esteva, ligeiro fumo; boca – fruta vermelha, intenso. Nota: 16.
  1. Touriga Nacional 2011: nariz – fruta negra, fumo; boca – madeira bem casada, fruta negra e esteva. Nota: 17.
  1. Tinto Cão 2011: nariz – fruta madura, borracha e compota; boca – fruta negra, fumeiro, grande volume. Nota: 17,5.

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