Ribatejo

SALVATERRA DE MAGOS

Evolução Histórica
Situado em pleno coração da lezíria ribatejana, o Concelho de Salvaterra de Magos revela-nos todo seu esplendor, numa simbiose admirável onde o homem, a natureza e o passado histórico.

Introdução

Actualmente o concelho de Salvaterra de Magos é composto por seis freguesias, em finais do Séc. XIX, apenas havia duas freguesias: Salvaterra de Magos (sede de concelho) e Muge.

Em 1837 com a Reforma de Mouzinho da Silveira, é extinto o Concelho de Muge, tornando-se freguesia que é incorporada no Concelho de Salvaterra de Magos. É da freguesia de Muge, que vão surgir 3 novas freguesias: Marinhais; Glória do Ribatejo e Granho.

Desde a mais remota ocupação pré histórica, até aos nossos dias, o concelho de Salvaterra de Magos possui inúmeros testemunhos materiais do Homem,  e foi palco de vários notáveis acontecimentos o que revela a importância desde concelho ao longo da história.

Pré-História

Paleolítico

Durante milhares de anos, o Homem viveu com base numa economia de recolecção, caçando, pescando e recolhendo o que a natureza lhe dava.

O paleolítico é o mais antigo e o maior período da história humana. Este é caracterizado por um sistema em que o Homem vivia organizado socialmente em bandos, abrigando-se em cavernas ou em acampamentos ao ar livre.

No concelho de Salvaterra de Magos, devido à sua localização geográfica, com inúmeras linhas de água (Ribeira de Muge, Ribeira do Vale Zebro, Ribeira da Glória e o Paúl de Magos), verifica-se uma ocupação muito intensa, com inúmeros vestígios do paleolítico.

As estações arqueológicas mais importantes no concelho, onde se verifica uma ocupação mais intensa ocorre em Muge e Granho (terraços da Ribeira de Muge), nos Ramalhais, próximo do Paúl de Magos e em vários locais na freguesia da Glória do Ribatejo.

Das investigações realizadas, verifica-se uma ocupação muito intensa e constante, que vai do paleolítico inferior ao paleolítico superior, com produção de inúmeros instrumentos tais como bifaces, unifaces, lascas entre outros instrumentos.

Mesolítico

O termo mesolítico deriva do termo grego “mesos” = no meio e “litíco”= pedra, é portanto o período de transição do paleolítico para o neolítico.

As primeiras estações arqueológicas conhecidas em Portugal, atribuídas ao período do mesolítico, foram descobertas em 1863, por Carlos Ribeiro, e são conhecidas por concheiros.

Os concheiros são sítios de habitat, cuja a principal característica consiste numa concentração invulgar de conchas, originando pequenas colinas artificiais, que se destacam na paisagem.

No concelho de Salvaterra de Magos, foram identificados dois núcleos distintos de concheiros: Ribeira de Muge e Paúl de Magos.

No primeiro local assinala-se os concheiros do Cabeço da Amoreira, Cabeço da Arruda, Moita do Sebastião e Fonte do Padre Pedro, entretanto já destruído para colocação de uma vinha. Em relação ao Paúl de Magos, destaca-se os concheiros da Cova da Onça, Cabeço dos Môrros, Magos de Baixo e Magos de Cima, estes últimos foram destruídos na década de 40, quando se iniciaram os trabalhos de construção da Barragem de Magos.

O denominado Complexo Mesolítico de Muge, que engloba os concheiros de Muge e do Paúl de Magos, constituem uma das mais importantes estações arqueológicas do mesolítico de toda a Europa, todos manuais de qualquer estudante de arqueologia trazem uma referência aos concheiros existentes no Concelho de Salvaterra de Magos, devido ao seu incalculável valor científico.

Desde os finais do séc. XIX, até à actualidade, são inúmeros os trabalhos científicos realizados por académicos ou investigadores sobre os concheiros de Muge .

Actualmente os concheiros Cabeço da Amoreira, Cabeço da Arruda e Moita do Sebastião, foram classificados de Monumento Nacional.

Neolítico

Neste período histórico, verifica-se a sedentarização do Homem, graças à descoberta da agricultura, assiste-se ao abandono de uma vida nómada, em que a economia se baseava na caça e recolecção.

No concelho de Salvaterra de Magos, as estações arqueológicas atribuídas a este período, estão essencialmente localizadas na freguesia de Muge. Esta ocupação deve-se à riqueza dos solos e à necessidade do seu aproveitamento para agricultura.

De entre os vários locais estudados, na freguesia de Muge a ocupação mais intensa ocorre nas ribeiras do Coelheiro e ribeira do Vale de Lobos.

Período Romano

A partir de meados do séc. IV a.C., surge uma nova potência: Roma. Após um desenvolvimento sob a áurea da civilização etrusca, o império romano começa a alargar o seu domínio para territórios vizinhos. A sua influência inicialmente estendeu-se para o Mediterrâneo Oriental e Ocidental, depois Norte de África e por fim para Norte em direcção da Europa Central e Leste e à península ibérica.

No concelho existem vários vestígios da presença romana, contudo o local onde apresenta maior ocupação, é o Porto de Sabugueiro na freguesia de Muge.

O primeiro autor a referir-se ao Porto de Sabugueiro, como uma estação romana foi Mário de Saa , que visitou o local, onde encontrou várias entulheiras de material romano, ainda segundo este autor, o local teria sido um importante porto de navegação no período romano.

Na década de 50, quando a Casa Cadaval (detentora do terreno), procedia à abertura de uma covas para plantação de uma vinha, foram descobertos vários materiais romanos tais como um mosaico, restos de ânforas e um forno, assim como outros materiais. Estes trabalhos foram dirigidos por Bairrão Oleiro e Jorge Alarcão .

Com base na descoberta de um forno de cerâmica, este local foi novamente sujeito a escavações arqueológicas, na década de 80, por Guilherme Cardoso, sem contudo obter resultados muito satisfatórios, para além da identificação das entulheiras respeitantes ao forno.

Em conclusão, o Porto de Sabugueiro apresenta-se como uma estação arqueológica de grande importância no contexto arqueológico do estuário do Tejo.

Época Medieval

Atribuição de Cartas de Forais e de Privilégios

A região onde Salvaterra de Magos se veio a implementar e a desenvolver, principalmente a partir de finais do Séc. XIII, constituía já nas décadas anteriores um espaço privilegiado de ocupação humana e de produção cerealífera. Segundo Oliveira Marques, as margens irrigadas do rio Tejo que ciclicamente transbordava, permitia uma grande fertilidade nos campos, que eram intensamente cultivados com cereais, muito consumidos no período medieval.

D. Dinis outorga em 1 de Junho de 1295, o Foral a Salvaterra de Magos. Este monarca também ficou para a história de Portugal como o rei que mais forais outorgou, trata-se portanto de uma política que consistia em ocupar zonas despovoadas, assim como permitir aos futuros moradores destas zonas arrotear e cultivar estes terrenos, e criar locais de culto. Está bem explicito no Foral de Salvaterra de Magos que os futuros moradores deste local deveriam ter um lugar para o culto, é deste forma que surge a Igreja Matriz.

Ainda no reinado de D. Dinis, em 1304, este monarca outorga a Muge Carta de Foral.

Salvaterra de Magos, estava localizada a meio caminho entre Lisboa e Santarém, com o rio Tejo a seus pés, possui enormes campos férteis, permitindo o desenvolvimento da agricultura e da criação de gado, duas actividades que ainda hoje marcam a vila.

No reinado de D. Pedro I, este monarca está associado ao aparecimento da Glória do Ribatejo, como núcleo urbano, ao atribuir a este local em 1362 Carta de Privilégios, permitindo tal como os Forais de Muge e Salvaterra de Magos, que esta zona também fosse povoada e se implementasse a agricultura.

Num espaço de 70 anos, houve 3 localidades que receberam um conjunto de privilégios, numa estratégia política de povoar estes locais outrora ermos e desabitados.

Tratado de Salvaterra de Magos

Ainda no período medieval, no reinado de D. Fernando, regista-se em Salvaterra de Magos um acontecimento que irá marcar o Reino de Portugal – o Tratado de Salvaterra de Magos.

Este Tratado ocorreu nesta vila, a 2 de Abril de 1383, onde ficou acordado que a D. Beatriz (filha de D. Fernando I) casaria com o D. João I de Castela. Com a morte de D. Fernando I, Portugal mergulha numa crise de sucessão, na qual o D. João I de Castela queria usurpar o trono português.

Este acontecimentos ficaram marcados na crise de 1383-85, com a Batalha de Aljubarrota, em que Portugal em menor número de tropas mas com o apoio dos ingleses desenvolve uma estratégia que acaba por derrotar os Castelhanos. Desta crise sai como vencedor o Mestre de Avis – D. João I.

Época Moderna e Contemporânea

Paço Real de Salvaterra de Magos

A construção de um Paço Real em Salvaterra de Magos, foi por certo um dos acontecimentos mais importantes e significativos nesta vila, dado que muito contribuiu para a fixação da Família Real, e foi um grande pólo de índole cultural.

A construção do Paço deve-se ao Senhorio da Vila o Infante D. Luís, filho de D. Manuel I, cujo a orientação das obras teve a cargo do arquitecto Miguel da Arruda.

Ao longo dos séculos, este Paço sofreu inúmeras alterações, no reinado de Filipe I, procedeu-se ao arranjo dos jardins, mais tarde com o monarca D. Pedro II, prosseguem as obras de pintura dos tectos do Paço.

A época áurea do Paço decorre no reinado de D. José I, nos primeiros anos da década de 50, em que um vasto plano de remodelação e ampliação se inicia, incluindo a construção de uma Casa de Ópera.

Esta Casa de Ópera, ou também denominado Real Teatro de Salvaterra, foi inaugurado a 21 de Janeiro de 1753 com a Ópera “Didone Abandonata”. Diversas representações, dramas sérios ou jocosos, foram aqui apresentados com grande êxito cénico e musical, sempre no inverno quando a Família Real permanecia em Salvaterra de Magos.

O terremoto de 1755 viria a provocar consideráveis estragos no Paço, no ano imediato e durante quatro anos decorreram obras de profundo restauro, dirigidas por José Joaquim Ludovice e Carlos Mardel – dois nomes ligados a grandes empreendimentos arquitectónicos na Lisboa pombalina.

No início do Séc. XIX, as invasões francesas obrigaram a Família Real a refugiar-se no Brasil, e o Paço de Salvaterra de Magos acusa essa ausência dos nossos monarcas e entre num longo processo de decadência. Aliado a este situação regista-se também um violento incêndio em 1817, que ajudou a intensificar a agonia da degradação do Paço.

A 10 de Setembro de 1849, a rainha D. Maria II, autoriza a cedência ao Estado de todos prédios dependentes do Almoxarifado de Salvaterra de Magos, e desta forma grande parte do Paço foi vendido em hasta pública com excepção da Capela Real que o Estado conservou.

Palácio da Falcoaria Real

O Palácio da Falcoaria, foi também um dos factores predominantes na fixação da Família Real em Salvaterra de Magos. Não existem dados concretos relativos ao sua construção, contudo pelo estilo arquitectónico, podemos atribuir-lhe a sua fundação ao Séc. XVIII.

No ano de 1752 chegaram a Salvaterra de Magos 10 falcoeiros holandeses vindos de Valkenswaard, que vieram trabalhar para o Palácio da Falcoaria Real.

Numa descrição da época, sabe-se que os falcoeiros de Salvaterra de Magos, na década de oitenta de setecentos usavam véstia com botões de casquinha dourada, chapéu fino agolado, camisa de Holanda, boldrié com fivela de latão dourado.

No 1.º quartel do Séc. XIX, a Falcoaria entra num período de declínio, em 1818 o Mestre Henrique Weymans assistindo ao abandono das instalações da Falcoaria “suplicava” um conserto rápido evitando a ruína.

No entanto a fuga da Corte para o Brasil, a instabilidade política dos anos 20-30, agudizaram o desaparecimento do Falcoaria, explicando a drástica decisão da regência do Reino, que em Março de 1821, manda extinguir todos ofícios, incumbências e ordenados das pessoas empregues na Real Falcoaria, exigindo ao Monteiro-mor que procedesse ao inventário e arrecadação de todos objectos a ele pertencentes, constituindo depositário deles o almoxarifado do distrito.

Ainda hoje são visíveis os testemunhos materiais do Palácio da Falcoaria Real, a Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, vai iniciar dentro em breve as obras de recuperação deste imóvel, restituindo-lhe a dignidade que merece.

Ainda no Séc. XIX, no contexto das guerras entre absolutistas e liberais, Salvaterra de Magos desde muito cedo marcou a sua tendência absolutista, facto que ainda hoje está presente no imaginário popular, dado que os habitantes de Salvaterra de Magos, são apelidados de “netos de D. Miguel”.

Salvaterra de Magos é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Santarém, com cerca de 5 100 habitantes. Desde 2002 que está integrada na região estatística (NUTS II) do Alentejo e na subregião estatística (NUTS III) da Lezíria do Tejo; até aí fazia parte da antiga região de Lisboa e Vale do Tejo. Pertencia ainda à antiga província do Ribatejo, hoje porém sem qualquer significado político-administrativo.

É sede de um município com 244,74 km² de área e 20 161 habitantes (2001), subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Almeirim, a leste e sul por Coruche, a sudoeste por Benavente e a noroeste pela Azambuja e pelo Cartaxo.

As freguesias de Salvaterra de Magos são as seguintes:

* Foros de Salvaterra
* Glória do Ribatejo
* Granho
* Marinhais
* Muge
* Salvaterra de Magos

História Resumida

As origens de Salvaterra de Magos são bem antigas, não fosse esta uma região fértil e com diversos cursos de água, como se pode confirmar na vizinha Muge que prima pelos muitos vestígios pré-históricos, e também Romanos.

Em 1542 Salvaterra de Magos é cedida ao Infante D. Luís, que ali mandou construir o famoso palácio real, em cujas tapadas se realizaram grandes caçadas ao javali e se tornaram célebres as corridas de Toiros, tendo aqui ocorrido um episódio histórico: o 7º Conde de Arcos pereceu na arena do Teatro de Salvaterra de Magos, inaugurado por D. José, e seu pai, o Marquês de Marialva vingou a morte do seu filho descendo à arena e matando o touro.

O Paço Real, os esplendorosos Jardins, o Teatro de ópera e a Arena de Touradas foram destruídos num grande incêndio em 1824, restando hoje em dia apenas a Capela Real e as instalações da Falcoaria.

Nesta vila cercada por férteis lezírias povoadas por Cavalos, um dos maiores bens da região, vale a pena conhecer o que ainda resta do Paço Real, nomeadamente a Capela e a Falcoaria, e também a Igreja Paroquial de S. Paulo, datada de 1296, a Igreja da Misericórdia do século XVII, a bonita Fonte do Arneiro de 1711, a grandiosa Ponte Ferroviária Rainha Dona Amélia, segundo projecto de Gustave Eiffel, datada de 1903, e um dos locais mais célebres da localidade, a Praça de Touros de Salvaterra de Magos, inaugurada em 1920 e ainda hoje uma das Praças com mais espectáculos tauromáquicos ao longo do ano.

De destacar é também a é a barragem e albufeira de Magos, localizada na ribeira de Magos, na bacia hidrográfica do rio Tejo, projectada em 1936 com excelentes condições para a prática das mais variadas actividades de lazer e turismo.

Salvaterra de Magos é conhecida pela criação de cavalos e toiros para o quente espectáuclo Tauromáquico que aqui encontra as condições perfeitas, de verdejantes férteis campos planos a perder de vista.

Gastronomia

A cozinha típica do Concelho de Salvaterra de Magos, sofreu ao longo dos tempos a influência da Lezíria, da Charneca e do rio Tejo.

Da Lezíria e da Charneca vieram as carnes, o borrego, o cabrito, as aves de bico, o porco, a vaca e as carnes bravas; as sopas, bem condimentadas e ricas em legumes, hortaliças, carnes e enchidos, muitas vezes para ficarem mais saborosas deitavam-lhes um osso de porco.

Do Tejo com o sável, a saboga, o barbo, a fataça, a lampreia e a enguia, faziam-se sopas, açordas, molhatas, assados…

A doçaria é excelente, composta por pudins, biscoitos, arroz doce, broas, tortas e bolos bem amassado, cuja massa fica horas a fermentar…

Um bom exemplo desta doçaria são os muito conhecidos Barretes, especialidade da gastronomia tradicional salvaterrense.[1] Sua história remonta a 1946, e foram criados por Fernando Filipe Andrade.[2]

Doce regional muito famoso, ele é o ex-libris da única pastelaria que o fabrica no mundo inteiro. É feito à base de amêndoa e laranja, tem uma “crosta” que se quebra facilmente à primeira dentada, deixando assim envolver o paladar com o doce recheio.

É óptimo acompanhado com chás ou infusões.

Cardápio: Torricado de Bacalhau, Tripa e Bucho, Arroz Doce Branco Molhata, Cozido à Portuguesa, Pudim da Benvinda Sopa de Ossos, Ensopado de Enguias, Carne da Matança do Porco, Papos de Anjo Enguias Fritas com Arroz de Feijão, Bolo de Amêndoa Acompanhar a refeição com vinhos do Concelho e terminá-la com um delicioso licor de Salvaterra.

Sugestões Doceiras: Barretes, Lagartos, Arroz Doce, Bolo de Mel, Papos de Anjo, Broas, Sonhos, Filhós.

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