Estremadura

2 milénios de história entre Alenquer e Aldeia Galega da Merceana

ALENQUER

ALQAlenquer é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Lisboa, região Centro e subregião do Oeste, com cerca de 8 900 habitantes.

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É sede de um município com 302,18 km² de área e 44 791 habitantes (2006) , subdividido em 16 freguesias. O município é limitado a norte pelo município do Cadaval, a leste pela Azambuja, a sul por Vila Franca de Xira e Arruda dos Vinhos, a sudoeste por Sobral de Monte Agraço e a oeste por Torres Vedras.

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Alenquer de “Alen Ker” significa “A vontade de Alão”. O Cão alano, uma raça conhecida pelas suas qualidades na caça e combate, continua a proteger a vila de Alenquer no seu brasão. Alenquer foi fundada por muçulmanos e conquistada por D. Afonso Henriques.[2] Recebeu foral em 1212 da infanta D. Sancha, filha de Sancho I de Portugal.

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A Lenda do Alão Quer

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Existem duas versões distintas acerca da derivação do nome da vila de Alenquer.

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Uma das versões conta que D. Afonso Henriques se deparou com uma cidade fortemente defendida pelos mouros e decidiu conquistá-la. Diz-se que na manhã em que o rei decidiu tomar o castelo, indo o rei cristão com o seu séquito tomar banho no rio e fazer as suas correrias, viram que um cão grande e pardo que vigiava as muralhas do castelo e que se chamava Alão, calou-se e lhes fez muitas festas. El rei tomando isso por bom presságio decidiu começar o ataque ao castelo dizendo o “Alão QUER”. Estas palavras serviram para futuro apelido da vila.

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A outra versão, conta que o cão chamado Alão era encarregado de levar as chaves na boca, todas as noites, pela muralha fora até á Casa do Governador e os cristãos aproveitando os instintos do animal, prenderam uma cadela debaixo de uma oliveira á vista do cão que, galgou o muro entregando as chaves aos portugueses.

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Estas lendas não tem algum fundamento até agora provado, mas o que é certo é que o brasão da vila, tem um cão preso a uma oliveira o que parece confirmar a lenda.

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PERÍODOS DA HISTÓRIA EM TERRAS DE ALENQUER

Pré-história

De entre os fósseis de animais pré-históricos encontrados na região de Alenquer, destaca-se o Apatosaurus Alenquerensis.

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Foi descoberto pelo geólogo americano Harold Weston Robbins que então trabalhava por conta da Companhia Portuguesa de Petróleos. As ossadas apareceram no meio de um caminho rural, algumas dezenas de metros a Norte de um moinho arruinado chamado Moinho do Carmo, situado a cerca de 1500 metros a Sul de Alenquer.

Depois de uma visita ao local, pessoal dos Serviços Geológicos, sob a direcção de Georges Zbyszewski, realizou, em Junho de 1949, as escavações, recolhendo 26 enormes vértebras pertencentes ao cadáver de um mesmo animal, muito frágeis, permitindo no entanto serem reconstituídas.

O estudo paleontológico dos achados revelou tratar-se de um animal do período Jurássico (135-165 milhões de anos), de proporções gigantescas (podendo atingir 35 toneladas de peso, 22 metros de comprimento e 6 de altura), pertencente à família dos Saurópodes Herbívoros.

Por se tratar de nova espécie, semelhante ao Apatosaurus da América, e tendo em conta o local onde foi encontrado, recebeu o nome de Apatosaurus Alenquerensis. Encontra-se no Museu dos Serviços Geológicos, em Lisboa.

Origens da vila

A descoberta pelo arqueólogo Hipólito Cabaço de objectos polidos no sítio do Castelo (sem precisar exactamente a localização) e de fragmentos cerâmicos junto da vulgarmente chamada Porta da Conceição parece indício seguro de uma origem pré-histórica da vila, no espaço depois limitado pela fortificação medieval.

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As cerâmicas, classificadas por Cabaço como “Eneolítico”, são por ele descritas como “Diversos fragmentos de vasos campaniformes com desenhos incisos encontrados por baixo da muralha da Porta da Conceição – Alenquer”.

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Localizado a meia-encosta, o sítio da Porta da Conceição levanta dúvidas quanto à localização e estrutura do povoado a que estariam associados aqueles vasos. João José Fernandes Gomes, que estudou o espólio, aponta duas possibilidades: a de se tratar de um povoado de tipo castrejo, que ocupara o topo do outeiro do Castelo, a 107 metros de altitude; ou de um povoado que ocupara uma das vertentes do mesmo monte.

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A primeira parece, contudo, comprometida. Hipólito Cabaço, que nos anos trinta do século XX realizou escavações na zona da alcáçova do castelo medieval nada encontrou de tempos pré-históricos. Como escreveu Luciano Ribeiro: “Supoz-se que, abaixo do piso relativo à primeira dinastia alguma coisa houvesse das civilizações anteriores. Porém, infelizmente: nada!”.

Aceitando a segunda hipótese – povoado de encosta – não será indiferente a proximidade da Porta da Conceição às inúmeras fontes e nascentes que brotavam no sítio das Águas, de ambos os lados do rio, que era abundante de peixes, conforme relatos modernos.

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Também para lá do rio, no monte fronteiro a esta encosta da Porta da Conceição, chamado do Pedregal, Cabaço recolheu, para além de restos paleontológicos e antropológicos, materiais eneolíticos.

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Alenquer sob o domínio romano

Castro ou povoado de encosta, o primitivo núcleo habitacional de Alenquer terá sido mais tarde romanizado (séculos II a.C. a III d.C.).
Bento Pereira do Carmo faz menção da descoberta de moedas dos imperadores Trajano, Adriano, Antonino Pio e outros, quando se reformou o Castelo com obras de terra, para fazer rosto à invasão francesa de 1810.
Inclui ainda este autor, numa relação de inscrições lapidares antigas localizadas por si, e na sua maioria romanas, uma pedra achada em 1782 no quintal do Padre Pedro Taveira, junto ao Castelo, declarando serem, para si, enigmáticos os caracteres nela gravados, e reprodu-los então conforme registo que deles fizera Fernando Dantas da Cunha e Brito, falecido em 1787, escrivão dos orfãos de Alenquer e curioso de antiguidades, reprodução essa que, como as de todas as outras inscrições, já não aparecerá quando os textos de Pereira do Carmo são publicados entre 1888 e 1890.

Por volta de 1780 foi demolida uma torre denominada de São Prisco, conforme relata também Bento Pereira do Carmo, a partir de uma lembrança de uma testemunha ocular que lhe chegou às mãos. Conta ele que na dita torre abundavam os cipos e marmores romanos, que depois da demolição foram aplicados como alvenaria ordinaria na construção da capela de Nossa Senhora do Monte do Carmo na Praça da Vila (actual Praça Luís de Camões). E lamenta-se: visitando pessoalmente a capela à cata de antiguidades, nem uma só destas pedras históricas vi à flor da parede.
Além destas, notícias de vestígios romanos já só para a Alenquer extra-muros. Na igreja de Triana, ou mais concretamente à porta da igreja de Triana, da parte direita quando entramos, existiu um cipo com inscrição reproduzida por Frei Agostinho de Santa Maria no seu Santuário Mariano. Bento Pereira do Carmo procurou-o por 1840 mas já não o encontrou, atribuindo o seu desaparecimento “talvez” à ruína da igreja com o terramoto de 1755.

Vários autores fazem coincidir a cidade de Ierabriga ou Lerabriga, referida no Itinerário, com Alenquer, ou melhor, com uma zona pouco distante da vila, a sul, onde maior e mais variado número de vestígios foi encontrado, entre o lugar das Paredes e as quintas do Bravo e das Sete Pedras. Nas Paredes existiam ainda em meados do século XVIII as muralhas ou paredes de um aqueduto que conduzia águas para a referida Quinta do Bravo. Pela mesma altura, o pavimento duma adega desta quinta, sugeria  ter ali existido sumptuoso edifício. Bento Pereira do Carmo, que terá visitado o local por 1840, diz que ainda ali se descobriam pedaços de mosaico. Empregadas em usos domésticos foram as pedras das sepulturas romanas desenterradas junto à quinta, conforme Pereira do Carmo, em sítio a que chama Barrada. Da mesma Quinta do Bravo é proveniente um cipo que desde finais do século XIX se guarda no Museu Arqueológico do Carmo, em Lisboa.

Em 1934 descobre Hipólito Cabaço uma extensa necrópole lusitano-romana, datável do século I d.C., que explora em parte, entre Paredes e Sete Pedras, cerca de 1 km2 de tumulizações sucessivas por incineração e inumação, segundo Maria Amélia Horta Pereira, que estudou o espólio de uma sepultura de incineração, constituído por cerca de 60 objectos, entre eles, o dolium e o mobiliário da sepultura, composto por jarrinha, lucerna, skiphos, pratos e taça de terra sigilatta, unguentários, boiões, taças e copos em vidro, marca de jogo em osso, fíbula, fivelas, botões, argolas, campainha e outras peças em bronze, ponta de dardo em ferro, pregos em cobre e ferro e até um pequeno fragmento de mosaico. Estes achados fazem hoje parte da exposição permanente do Museu Municipal Hipólito Cabaço.

A estes se vieram juntar mais tarde, provenientes da Quinta do Bravo, uma pequena ara de mármore, descoberta, quando se procedia à abertura de um poço e uma lucerna com “bico” quebrado.
Na Quinta de Santa Teresa, próxima também da antiga necrópole, se descobriu um relógio de sol, em mármore, e um fragmento de coluna com inscrição latina.
Depois de se referir à Quinta do Bravo e às Paredes, escreve Bento Pereira do Carmo: Na Quinta da Barradinha, situada um pouco mais longe, sobre a continuação das colinas, ao sul da várzea de Vila Nova, se descobriu, em Dezembro de 1839, uma sepultura no pendor da colina para o campo, encerrando um esqueleto, que um proprietário não pode salvar da sacrílega mão dos trabalhadores, fazendo apenas menção de que a cabeça estava voltada a Oriente.
Pela parte superior desta quinta encontram-se espalhadas muitas pedras, quando o sítio não as dá, alguns lanços de parede subterrâneos, e grandíssima quantidade de telhas e tijolos de tamanho descomunal, alguns menos quebrados têm sido postos em reserva, como raridade; os entulhos (que assim lhe podemos chamar) continuam na mesma direcção até ao Casal da Telhada.
Bem sei que estas ruínas equívocas e sem caracter que o tempo engoliu, como faz a tudo, e fez ás moedas que por entre elas apareceram e vão aparecendo, põe a questão fora de toda a dúvida. Pertencem estas moedas, de que o proprietário vai fazendo colecção, aos imperadores Trajano, Adriano, António Pio e outros.
O proprietário da quinta, naquele tempo, seria o próprio Bento Pereira do Carmo.

O Museu Municipal possui algumas peças lusitano-romanas encontradas na Barradinha, das quais se destacam uma mísula ou capitel de mármore branco e um fragmento de asa de ânfora com marca de oleiro.

Invasões bárbaras, domínio árabe e reconquista cristã

Entre os séculos III e VIII da nossa Era, sucedem-se as invasões bárbaras: alanos, vândalos, suevos e visigodos.
Guilherme Henriques, baseando-se nos escriptores mais abalisados afirma que a fundação do castelo de Alenquer se deu com a entrada dos visigodos em território português.
Outros autores crêem em fundação posterior. Estabelecidos na Península a partir de 711, terão os árabes aproveitado os recursos defensivos do sítio de Alenquer, nomeadamente a sua posição na linha do Tejo, para aqui edificar uma fortificação.

Dentro das muralhas, a mesquita, erguia-se, segundo a tradição, no mesmo local onde depois se edificou a igreja de Santo Estevão, matriz da vila, também esta demolida em 1870 para dar lugar à construção da Aula do Conde de Ferreira, onde hoje está instalado o Museu Municipal. Acerca desta demolição escreve Guilherme Henriques, que quando se derrubou a torre, viu-se perfeitamente que havia n’ella uma especie de cunhal de cantaria de forma muito diversa à da torre.
É tradição também que a chamada Torre da Couraça, no sítio das Águas, fora construída ou, pelo menos, começada pelos mouros, conta Henriques, porque havendo nos seus alicerces uma copiosa nascente quizeram, d’este modo, conseguir o abastecimento d’agua, único requesito para ser a praça inexpugnavel, acrescentando que o mais provavel é que a torre foi começada quando a noticia das conquistas de D. Affonso Henriques obrigava os mouros a lançar mão de tudo quanto podesse contribuir para a segurança das suas praças e castellos.

De resto, e á falta de outros vestígios, está o legado mouro patente na própria estrutura urbana da Alenquer medieval, intra-muros, como lembra Aldo Paviani, estreitas tortuosas e íngremes ruas, entrecortadas por ‘becos’, ‘travessas’ e ‘escadinhas’.

Forais

Em 1212, Alenquer é entregue a D. Sancha, que no mesmo ano lhe atribui foral. Por se tratar apenas da consolidação de uma situação já existente, este diploma não especifica os limites do termo da vila.

D. Dinis concederá novo foral à vila em 1302, reformado em 1510, na sequência da reforma dos forais promovida por D. Manuel.

Constituição do concelho

O concelho de Alenquer foi constituído num passado recente no fervilhar do processo liberal entre 1832 e 1855, no período que corresponde, culturalmente, às gerações do Romantismo.

Nesse processo conturbado de profunda transformação da sociedade e do municipalismo do País, após a extinção dos forais (1832) desapareceram dois (Vila Verde dos Francos e Aldeia Galega) dos três antigos concelhos medievais que formam hoje o actual Concelho.
Com a promulgação das três leis (finanças públicas, administração civil e judicial) em 1832 e a divisão do País em províncias, comarcas e concelhos tornando distintas as funções administrativas das judiciais, mudando por completo a maioria das normas vigentes da administração pública, foram várias as alterações do termo e da comarca de Alenquer.

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Em 1832, o decreto de 16 de Maio, colocou Alenquer como cabeça de comarca de quinze vilas entre as quais Aldeia Galega. Vila Verde, concelho e vila, ficou a pertencer a Torres Vedras. Posteriormente, a «novíssima reforma judicial» (1854) deixou a comarca de Alenquer reduzida apenas a seis julgados: Alcoentre, Aldeia Galega, Alenquer, Azambuja, Cadaval e Sobral. O julgado de Vila Verde foi extinto.
Em 1837, a lei de 12 de Junho constituiu o concelho de Alenquer marcando-lhe quatro freguesias na vila e no seu termo as seguintes: Atouguia, Cabanas de Torres, Cadafais, Carnota, Espiçandeira, Olhalvo, Ota, Palha Cana, Paul de Ota, Santa Quitéria e Vila Nova da Rainha. Esta última, posteriormente passou para o concelho de Azambuja. Em 22 de Dezembro deste mesmo ano (1837) o Vale do Carregado que pertencia a Vila Franca, passou para Alenquer.
Em 1854, Vila Verde perdeu o último vestígio do seu carácter municipal e passou a fazer parte do concelho de Aldeia Galega.
Em 1855, no mês de Dezembro, foi extinto o concelho de Aldeia Galega. O seu «distrito» ficou junto ao de Alenquer, «formando ambos o concelho como actualmente se acha». Era o começo de um novo período da história local.

Os melhoramentos materiais da Regeneração chegaram com as estradas, o caminho de ferro, as fábricas, a opulência de algumas quintas residenciais da burguesia triunfante e a construção majestosa do edifício dos paços do concelho. Nesta época, Alenquer ganha importância industrial.
Os movimentos literário e artístico do Romantismo passaram pela Casa de João de Deus na Cortegana, pela casa do pintor Ribeiro Cristino do «Grupo do Leão» no Arneiro, pela casa de Guilherme João Carlos Henriques na Carnota e pelas «Farpas» assinadas por Ramalho Ortigão reclamando «durante o verão pelo menos, um vapor em que se navegue pelo Tejo acima até ao Carregado, como noutro tempo».
As vicissitudes do liberalismo e a sua repercussão cultural mudaram, assim, a face do Concelho de Alenquer no século XIX.

ALDEIA GALEGA DA MERCEANA

Aldeia Galega da Merceana
ALQ-aldeiagalegaJá era freguesia em 1259, pertencendo ao termo de Alenquer. Orago, Nossa Senhora dos Prazeres.

Tem uma área de 19 km². Confronta a norte com o concelho de Torres Vedras e as freguesias de Vila Verde dos Francos e Ventosa; a sul com as freguesias de Pereiro de Palhacana; a nascente com as freguesias de Aldeia Gavinha e Ribafria e a poente com o concelho de Torres Vedras.

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Foi outrora, e talvez ainda seja, o centro de produção vinícola mais rico do concelho.

Aldeia Galega   Merceana   Arneiro   Paiol   Barbas   Vale Benfeito   Casais Brancos   Corujeira

Aldeia Galega

Hipólito Cabaço localizou no lugar ou imediações uma estação eneolítica onde recolheu alguns machados polidos, facto que indicia uma ocupação muito remota destes sítios.

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Luciano Ribeiro refere a existência de uma ponte romana, à saída do lugar.

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Da origem do topónimo diz Guilherme Henriques que “o nome de Aldeia Gallega, tão commum em Portugal apenas significa que o terreno em redor não era fertil ou rendoso mas sim terra delgada, charneca, ou inculto”. Mas a povoação, cuja origem provável Henriques faz remontar aos princípios da monarquia, não foi sempre conhecida por este nome. Chamou-se antes Montes de Alenquer e em meados do século XIII era já um lugar importante. Em 1259 é já sede de freguesia. Em 1282, D. Dinis faz dele julgado, separando-o da vila e termo de Alenquer, como recompensa pela lealdade demonstrada por este povo em seguir as partes do rei D. Sancho, seu tio. Será ainda D. Dinis que finalmente lhe concederá a autonomia, em 1305, através da concessão de foral.

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Separado de Alenquer, continuará o lugar de Montes, entretanto vila de Aldeia Galega, a ter como donatária a Casa das Rainhas.

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Em 1712 pertenciam ao termo de Aldeia Galega os lugares de: Merceana, Arneiro, Vale Benfeito, Barbas de Porco, Palhacana, Aldeia Gavinha, Freixial de Baixo, Freixial do Meio, Freixial de Cima, Cortegana e Atalaia.

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A vila de Aldeia Galega contava, em 1527, com um total de 65 vizinhos, entre eles 6 cavaleiros e 8 escudeiros.

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Entre os soldados portugueses que, durante o século XVI, foram prestar serviço na índia, encontra-se Fernão Penteado, de Aldeia Galega.

A serem rigorosos os dados demográficos de que dispomos, eles ajudam a explicar as razões que levarão à extinção do concelho de Aldeia Galega, em 1855. Para 1712 apontam-se 130 fogos; em 1758 seriam 52 e 195 indivíduos.

Em 1911 contará 61 fogos e 254 indivíduos.

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De fundação muito antiga é a igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, sede da paróquia. Tem pórtico pré-manuelino e pia baptismal decorada ao gosto do Renascimento. É rica em azulejos e telas. A pintura do tecto data do século XVIII. Entre as várias sepulturas, no corpo da igreja, destaca-se uma, brasonada, datada de 1553.

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A capela do Espírito Santo, que teve hospital anexo, administrado pela família Pereira Rebelo, encontrava-se em ruínas em 1873. Foi mais tarde restaurada. Tem um notável frontal de azulejos.

Na chamada Praça, ergue-se o pelourinho manuelino, decorado com motivos vegetais. Em frente, a antiga casa da câmara e a Casa da Rainha, como é localmente conhecida.

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Da arruinada igreja da Misericórdia, próxima do pelourinho, ali instalada em 1616, era padroeiro, em 1758, João Carlos de Miranda. Por meados do século XIX já só lhe restavam as paredes.

José Gomes Castelo, do lugar de Ribafria, foi grande benfeitor desta Casa. Em 1792, depois de obter autorização da rainha D. Maria I, doa-lhe todos os seus bens para a instalação de um hospital para recolhimento e sustentação dos pobres e cura dos enfermos. As casas onde funcionou este hospital foram, em 1839, concedidas à câmara de Aldeia Galega para ali instalar os Paços do Concelho.

Outra ermida existiu na antiga vila, da invocação de Nossa Senhora dos Anjos, pertencente à quinta que foi dos Pereira Rebelo, situada nas traseiras da igreja paroquial. Tinha ermitão, durante os séculos XVII e XVIII, e aqui se sepultavam os membros daquela família.

Já fora do lugar existiu uma ermida de São Sebastião “outrora muito concorrida em romarias” conforme conta Guilherme Henriques.

Os festejos em honra da padroeira realizam-se no primeiro fim-de-semana de Junho. Na sua organização, conta a Paróquia com a colaboração do Clube Recreativo e Cultural de Aldeia Galega, fundado em 1983.

Em Aldeia Galega nasceram:

Irmã Francisca de Meira (1573 – 1636), religiosa da Ordem Terceira de São Francisco, falecida também neste lugar.

Frei D. Manuel Pereira da Silva, bispo do Rio de Janeiro e secretário do rei D. Pedro.

Nos arredores do lugar se situam algumas propriedades importantes como a Quinta de Chocapalhas, que pertenceu, nos séculos XIX e XX à família Duff, de origem escocesa.

Merceana

Para António de Oliveira Cordeiro Melo, Merceana terá origem latina -Mersi-Ana- significando terras imersas do Ana. Ana seria antigo nome do rio que atravessa o concelho de Norte a Sul. Outro exemplo de um topónimo derivado do antigo nome do rio seria o de Triana, Tri-Ana, ou seja, além do Ana.

Segundo Guilherme Henriques, a sua fundação data de 1525, “quando depois da fundação do templo de Nossa Senhora da Piedade as continuas romarias necessitaram a edificação de casas de hospedagem para os romeiros, e feirantes”.

É possível que a origem do lugar seja a descrita por Henriques. Mas a data será anterior. Em 1518 já aqui residiam alguns confrades da Casa do Espírito Santo de Alenquer: os cavaleiros João Leitão, juiz ordinário, e Martim de Miranda. Em 1525 passarão também a fazer parte daquela irmandade o escudeiro Manuel Leitão e sua mulher Guiomar Rebelo, também da Merceana.

Entre os soldados portugueses que, durante o século XVI, foram prestar serviço na índia, encontram-se os nomes de Fernão Penteado e João Fialho, deste lugar.

A Igreja de Nossa Senhora da Piedade foi fundada pela rainha D. Leonor, viúva de D. João II, no sítio onde antes estivera uma ermida que se tornara muito concorrida, e que por sua vez fora construída no sítio onde ocorrera o milagre do aparecimento da imagem da Virgem ao boi Marciano. Há nesta igreja dois painéis de azulejos policromos que ilustram essa lenda. No arco triunfal, renascentista, inscreve-se a referida data de 1525.

Na ocasião das invasões francesas foi esta igreja saqueada e transformada em cavalariça. 1598 parece ser o ano exacto do início das obras do Convento de Santo António da Merceana, de frades capuchos, próximo do lugar, no sítio de Charnais. A primeira comunidade fixar-se-á poucos anos depois. A igreja conventual começou a construir-se em 1606. O padroado e capela-mor são concedidos a Damião de Aguiar, chanceler-mor, do Conselho de Filipe I, e sua mulher, como reconhecimento pela esmola despendida para a edificação. Um século mais tarde o convento é ampliado. São, nesta fase, benfeitores, D. João Rolim de Moura, da Casa de Azambuja, e sua mulher. Depois da extinção, foram as instalações conventuais cedidas à Misericórdia de Aldeia Galega, passando a servir de hospital.

Conserva ainda as suas principais dependências: igreja, portaria, claustro, casa do Capítulo, cozinha, refeitório, dormitórios e cerca. Destacam-se, pelo seu valor, os azulejos da igreja, claustro e outras dependências.

Só conhecemos dados demográficos acerca deste lugar a partir do início do século XVIII, quando a Merceana era já um lugar muito importante. Para 1712 apontam-se 100 fogos, número que, no entanto, baixará a 56 apenas, logo após o grande terramoto, caso uma e outra informações estejam correctas. Habitantes destes 56 fogos seriam 250.

Apesar do crescimento posterior, o número de fogos em 1911 – 90, habitados por 383 indivíduos – encontrava-se ainda aquém do número alcançado dois séculos antes.

Entre as figuras notáveis nascidas na Merceana contam-se:
Francisco Dias, pedreiro, arquitecto, carpinteiro e piloto, aqui nascido em 1538, falecerá no Rio de Janeiro, Brasil, em 1633. Foi mestre de obras da igreja de S. Roque, em Lisboa, e autor da planta do colégio da ilha Terceira. No Brasil, foi autor de plantas de colégios e igrejas na Baía, Olinda, Rio de Janeiro e Santos, e inspector-geral das obras dos colégios. Como piloto nunca sofreu um naufrágio.
Frei António da Merceana, que se celebrizou como um dos primeiros missionários nos sertões do Grão Pará, Estado do Maranhão, Brasil. Faleceu em 1645.

Rodrigo de Boaventura Martins Pereira, médico, professor e publicista, nascido neste lugar em 1842. Fez o curso da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Estabeleceu clínica na Merceana, de onde saiu para leccionar na escola onde se formara e onde chegou a lente catedrático e regeu a cadeira de anatomia. Publicou Memória, Vinhedos e Vinhos, Cartas ao Visconde de Chanceleiros, A Unidade na Natureza, A Rotação e o Movimento Curvilíneo, José Martins Pereira – traços biográficos.  Faleceu em Lisboa em 1897.

Na história da imprensa periódica do concelho registam-se dois títulos da Merceana: O Merceanense, que teve duas edições, a primeira em 1911, e a segunda entre 1917 e 1931. A primeira foi da responsabilidade de um grupo ligado ao Clube Merceanense, que, no mesmo ano de 1911, e sob a designação de “Grupo de Rapazes da Merceana”, já havia iniciado O Caústico, jornal manuscrito de que saíram quatro números. Da primeira edição de O Merceanense foi director António Borges, editor Eduardo Cardoso, secretário Graciano Caiano e administrador José A. Neves. Da segunda foram responsáveis Mário de Carvalho Mesquita, director, e José Marques de Carvalho, editor.

O Alto Concelho de Alenquer, cujo primeiro número saiu em 15 de Março de 1931, deve ter-se extinguido em finais de 1932. Quinzenário, subintitulava-se “Defensor dos interesses do Alto Concelho de Alenquer”. Era propriedade do Núcleo de Iniciativa da Merceana e foi seu director e editor Filipe César de Goes e secretários da redacção Francisco Luís de Carvalhosa e Mário da Silva Bairros.

Nos arredores, a Quinta dos Plátanos, outrora Quinta de João Carneiro, foi cabeça de um morgadio instituído no século XVII por Mateus Pais, cónego da Sé de Lisboa.

Sempre na posse da mesma família, virá a pertencer, na segunda metade do século XIX, a José de Meneses Correia de Sá (1848-1921), agraciado, em 1895, com o título de 1.º Visconde da Merceana.
O aspecto actual do edifício principal resulta das alterações realizadas durante o primeiro quartel do século XX, sob a orientação do arquitecto João Cristino da Silva. Tem uma capela de invocação de Nossa Senhora da Piedade.

Arneiro

Guilherme Henriques, citando Viterbo, afirma que a palavra arneiro “quer dizer um areal, terra, monte, ou praia cheia de areia”.

Em finais do século XV pertencia à vintena de Aldeia Gavinha e contava sete fogos, número que ascenderá a 13 em 1527. Em 1712 serão já 60. Houve depois um declínio pois, em 1758, conta apenas 32, habitados por 120 indivíduos. A tendência inverte-se no século seguinte e em 1911 terá 359 habitantes, distribuídos por 80 fogos.

No centro da povoação encontra-se a capela do Espírito Santo, que já existia no início do século XVIII, tendo então anexa uma albergaria ou hospital. Em 1873 estava em estado de ruína.

Aqui instituíram capela João Afonso, “Rebolão” de alcunha, em 1571, o Padre António de Quental e o Prior António Delgado Franco.

Festeja-se aqui São João Baptista, no seu dia, organização da Associação Cultural do Arneiro, fundada em 1988.

Próxima do Arneiro, à beira da estrada Merceana – Torres Vedras, entre este lugar e o do Paiol, situa-se a Quinta de São João, onde se encontra uma antiga capela da mesma invocação que, apesar de bastante alterada, tem peças notáveis de estatuária e azulejaria.

Paiol

Em 1758 conta 147 habitantes, distribuídos por 38 fogos. Em 1911 conta 64 fogos e 257 indivíduos.

Embora seus pais residissem em Aldeia Galega, foi neste lugar, na casa dos avós maternos, que nasceu, em 1885, o arqueólogo Hipólito de Almeida da Costa Cabaço.

Filho de um lavrador e comerciante fixa-se em França em 1901, com o objectivo de se especializar no tratamento e fabrico de vinhos. É nos museus franceses que desperta para a arqueologia e, sobretudo, para o material do período paleolítico. Regressado a Portugal em 1903, desde logo inicia, com os primeiros achados, “a mais extensa e coerente obra de prospecção e exploração dentro dos domínios da Pré-história, realizada na primeira metade do século XX, sobretudo nesse sector ingrato, difícil e controverso que é o paleolítico”. Palavras de Maria Amélia Horta Pereira, que define Hipólito Cabaço como “pioneiro heróico e gigantesco” da arqueologia portuguesa. Para além do Paleolítico, Cabaço localizou estações dos períodos Mesolítico, Eneolítico, Bronze, Ferro, Romano, Medieval e ainda de Paleontologia e Antropologia, nos concelhos de Alenquer, Salvaterra de Magos, Azambuja, Peniche, Caldas da Rainha, Santarém, Abrantes, Elvas, Cadaval e outros, de onde recolheu milhares de peças que vieram dar origem ao actual Museu Municipal Hipólito Cabaço.

Sócio da Associação dos Arqueólogos Portugueses, relacionou-se e trabalhou em conjunto com arqueólogos portugueses do seu tempo como Rui de Serpa Pinto, Eugénio Jalhay, Mendes Corrêa, Afonso do Paço, e estrangeiros como Henri Breuil e Georges Zbyszewsk. Viria a falecer em 1970, na Quinta da Boa Água, junto ao Carregado.

São Sebastião é aqui festejado no último fim-de-semana de Julho, cabendo, actualmente, a sua organização ao Centro de Cultura e Recreio de Paiol, fundado em 1988.

Pouco distante deste lugar fica a Quinta da Junqueira, de arquitectura setecentista, em cuja capela, hoje arruinada, existem bons exemplares de azulejos dos séculos XVII e XVIII.

Barbas de Porco

Já tinha este nome em finais do século XV. Pertencia então à vintena de Aldeia Gavinha e contava apenas três fogos, número que triplicará até ao final do primeiro quartel do século XVI. Em 1712 serão já 12. Declina então, e em menos de 50 anos, voltará a ter o mesmo número de fogos existentes em 1527 – nove, habitados por 40 indivíduos. O século XIX será de crescimento. Em 1911 conta 157 habitantes, distribuídos por 33 casas.

Em 1731 existia neste lugar uma ermida de Nossa Senhora do Rosário.

A Barbas esteve intimamente ligada nos séculos XVII e XVIII uma família – Correia de Almeida e Meneses –  detentora das quintas de Barbas de Porco e do Anjo, esta já fora do lugar, mas bastante próxima. Esta pertenceu, no século XVI, a uma família Avelar, como atesta o brasão de armas que se encontra na fachada principal do edifício. Tudo aponta para que se trate dos Avelar de Alenquer, uma das principais famílias daquela vila ao tempo, de quem procedem, por exemplo a mulher de Lançarote Gomes Godinho, alferes da bandeira real na Índia, ou a mãe de Manuel de Gouveia, correio-mor do reino. Já na segunda metade do século XIX, mais concretamente em 1873, a Quinta do Anjo está na posse de António Joaquim Vieira de Magalhães, 1.º Conde de Magalhães, que chegou a ocupar a pasta dos Negócios da Fazenda, em 1870, por curto período.

Vale Benfeito

Aponta-se para 1712 a existência de 16 fogos neste lugar, número que terá sofrido um declínio para menos de metade em 1758: 7 fogos, habitados por 30 pessoas.

Em 1911 alcançara já os 181 habitantes distribuídos por 42 fogos.

Em Junho, terceiro fim-de-semana, realizam-se aqui os festejos em honra do Divino Espírito Santo. A sua organização é actualmente da responsabilidade da Associação Cultural de Vale Benfeito, fundada em 1976.

Casais Brancos

Em 1758 viviam aqui 28 pessoas distribuídas por nove fogos.

Em 1911 conta 44 fogos e 230 indivíduos.

Em Julho, segundo Domingo, realizam-se aqui os festejos em honra do Divino Espírito Santo. Actualmente são organizados pela Associação Recreativa Cultural de Casais Brancos, fundada em 1980.

Casais Brancos é lugar conhecido pelo seu miradouro, de onde se desfrutam excelentes vistas de todo o Alto Concelho de Alenquer.

Corujeira

“Povoação reles, em sítio penhascoso, mais próprio para a criação de corujas”, é assim que a generalidade dos dicionários define o nome deste lugar, situado na estrada entre Aldeia Galega e Sobral de Monte Agraço. Parte dele pertence ao concelho de Alenquer, freguesia de Aldeia Galega, pertencendo ao de Torres Vedras outra parte.

Em 1530, Diogo Álvares da Rocha, da Corujeira, contador do juízo Geral de Alenquer, era confrade da Casa do Espírito Santo.

Em 1758 contava 6 fogos, neles residindo 34 pessoas. Em 1911 são 11 os fogos e 53 os indivíduos.

No meio de grande mata, a Quinta da Corujeira apresenta, nas suas edificações, dois períodos: o século XVII, quando pertenceu aos Marqueses de Marialva, e os finais do século XIX, quando se encontra na posse do Conde do Casal Ribeiro.

FONTES: CM Alenquer, JF Merceana e Wikipédia.

8 Comentários

  1. eu e omeu irmao nascemos en aldeia galega vivemos en casais brancos a40anos en franca foi uma alegria para mim de saber touda a historia da nossa terra sobretudo quando estamos longe das nossas raizes muito muito obrigado

  2. Parabéns pelo trabalho efectuado só há um senão. Misturaram fotografias de Alenquer, Portugal com fotografias de Alenquer, Brasil.
    (caso das quedas de àgua e da igreja)

    1. Pois, Paulo. Este blogue vive um pouco de fontes de informação e muitas fotos são-me enviadas. Obrigado pelo reparo que será corrigido tão breve quanto possível. Jorge

  3. Bom dia, sempre fui um apaixonado pelas historias de Portugal, parabens por esse otimo conteudo, um abraço de um Brasileiro apaixonado por Portugal.

    Leônidas Roesler

    roesler@oi.com.br

    1. Felizmente que os meus artigos chegam a toda a lusofonia. Dessa forma têm uma oportunidade de de assimilar algumas das suas origens. Para mim é um prazer ver o trabalho reconhecido de tão longe. Bem haja. Jorge

  4. Como classificar o v/trabalho? EXTRAORDINARIO ! São fora de serie.

    1. Felizmente que vão aparecendo interessados nestas histórias e que verificam que apesar de ser um site de vinhos, não me foco nem esgoto o tema. Assim sendo, a minha satisfação é a satisfação da leitura dos meus artigos por parte dos frquentadores deste blogue. Bem hajam. Jorge

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