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O Vinho do Porto na Arte

(…) Os cachos já maduros esperam as mãos das vindimadeiras, nos braços contorcidos das cepas angustiadas pelo esforço daquele parto cruel que um sol abrasador tornava mais doloroso.
Nalguns socalcos já andavam as serranas a encher os balaios que o rapazio transportava para os grandes cestos vindimos, carregados depois, às costas dos homens, a caminho do lagar, num calvário de canseiras. Tocadores de guitarra, bombo e ferrinhos acompanhavam-nos para lhes suavizar a marcha arrastada; vozes de mulher cantavam, nas valeiras e bardos, monotonias de uma raça escrava. (…)
Alves Redol

Começa em pedra e água, e acaba em pedra e água (…).
Doiro, rio e região, é certamente a realidade mais séria que temos. Nenhum outro caudal nosso corre em leito mais duro, encontra obstáculos mais encarniçados, peleja mais arduamente em todo o caminho (…)cingindo à sua artéria de irrigação, atravessa o país de lado a lado. E é, no mapa da pequenez que nos coube, a única evidência incomensurável com que podemos assombrar o mundo.
Miguel Torga

(…) Contam-se por centenas os barcos que, arrebatados pelas águas, se espedaçaram contra as rochas.
Pouco a pouco criou-se uma arte e um barco próprio, o “rabelo”, para navegar o rio. Embarcações à vela, os rabelos têm qualquer coisa de barco fenício e de junco chinês; fenício pelo robusto leme, em forma de remo, a “espadela”, cujo imenso madeiro nos barcos grandes e nas descidas perigosas necessitam de uma dezena, ou mais, de marinheiros, para maneja-lo; de chinês, pela varanda alta, à ré, a “apegada”, donde aqueles nautas manobravam. (…)
Jaime Cortesão

(…) Da pedra se fez terra,
Do sol bravo o licor generoso,
Que tem um ressaibo de brasa
E de framboesa. (…)
Aquilino Ribeiro

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