A Casa da Passarella acaba de apresentar as suas novas colheitas, que são, como já vem sendo habitual nesta casa do Dão, propostas ousadas e diferenciadas. Entre elas, destaca-se o Villa Oliveira Centenária Pai d’ Aviz, um vinho de 2017 que vê a luz do dia pela primeira vez, e outros, como o Casa da Passarella Fugitivo Tinta Pinheira, um monocasta que arrisca e assume o regresso às raízes e a castas menos consensuais.

Fascinado por vinhas velhas, pela experimentação, e por castas negligenciadas pelo tempo, o enólogo Paulo Nunes há muito que tomou para si o lema da recuperação de castas antigas, que na Casa da Passarella, datada de 1892, são privilégio destas terras. Afinal, esta propriedade no sopé da Serra da Estrela conta com 70 hectares de vinha – 4,4 dos quais de vinha centenária. É de castas destas vinhas – como Baga, Jaen, Tinta Amarela, Alvarelhão, Tinta Pinheira, Touriga Nacional e Tinta Carvalha… – que nasce pela primeira vez este Villa Oliveira Vinha Centenária Pai d’ Aviz, de 2017. Tinto de perfil clássico com enologia moderna, tem aromas distintivos de pinheiro e na boca é elegante, com acidez perfeita e final longo e fino.

Essa vontade de resgatar castas antigas desprezadas pela maioria volta a mostrar-se em dois outros monocastas lançados pela Casa da Passarella: O Fugitivo Uva Cão (2020), feito com uma casta muito antiga, e de grande acidez – tão ácida que nem os cães a comiam, daí o seu nome, é assumido agora como monocasta, gerando um vinho elegante. Um outro exemplo é O Fugitivo Tinta Pinheira, feito com uma casta a que raramente se associam vinhos de grande complexidade. Aqui, contudo, o resultado é um vinho encorpado, aromático e com boa longevidade.

Juntam-se a estas novas colheitas a edição deste ano do Casa da Passarella, O enólogo Encruzado, que nunca desilude, ano após ano, o Villa Oliveira Encruzado 2018 e o Villa Oliveira Vinha do Províncio Branco, que ilustram de igual forma a qualidade sustentada dos vinhos desta casa do Dão.

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Desde 2008 que Paulo Nunes é enólogo da Casa da Passarella, e lhe foi dada carta branca para desenvolver uma visão para os seus vinhos. Com mais de 100 anos percorridos, o património desta quinta produtora e o seu histórico de vinhos, e uma vasta área de vinhas bem cuidada, Paulo Nunes assumiu o sentido de missão e vestiu inteiramente a camisola. Essa responsabilidade não lhe retirou contudo o prazer de tentar criar grandes vinhos, pois como o próprio assume, só é enólogo porque se diverte a trabalhar.

Continuo a olhar para a Casa da Passarella, desde que aqui comecei em 2008, com o imenso potencial que ela tem e com enorme respeito por tudo o que ali foi feito, na vinha, ao longo dos últimos 130 anos. Continuo a aprender com os antigos que ali trabalham há décadas, e a resgatar saberes e castas que nunca deveriam ter sido esquecidosEstas colheitas são exemplo disso mesmo”, assume Paulo Nunes, enólogo da Casa da Passarella há 14 anos.

Tempo e ‘terroir’ são traves mestras na história da Casa da Passarella. As novas colheitas que chegam agora ao mercado são reflexo disso mesmo. E das muitas histórias ainda por contar.