Douro Vinhos Wines

Vinho do Porto – História e Caracterização

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Porto: um vinho com história

 

Ao longo de quase dois milénios, fez-se, na encostas xistosas do vale do Douro, uma paisagem vitícola singular, um vinho excepcional. Mais do que um dom da natureza, o vinho do Porto é, na sua essência, essa espessura histórica, um património cultural colectivo de trabalho e experiências, saberes e arte, que gerações e gerações acumularam. O vinho do Porto foi e é um produto chave da economia nacional e ainda mais um valor simbólico que distintamente representa a portugalidade no mundo.

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A história do vinhedo do Alto Douro é muito antiga. Não faltam descobertas arqueológicas e referências documentais a testemunhar a persistência cultural do empenho vitivinícola de outras eras.

Recuam pelo menos aos séculos III-IV os vestígios de lagares e vasilhame vinário, um pouco por toda a região duriense. Porém, a designação de vinho do Porto surge apenas na segunda metade do séc. XVII, numa época de expansão da viticultura duriense e de crescimento rápido da exportação de vinhos.

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No último terço do séc. XVII, em tempo de rivalidades entre os impérios marítimos do Norte, flamengos e ingleses aumentam a procura dos vinhos ibéricos, em detrimento dos de Bordéus e de outras regiões francesas. A Inglaterra importa crescentes quantidades de Porto. Em 1703, o Tratado de Methuen virá consagrar no plano diplomático este fluxo mercantil, prevendo a contrapartida de privilégios para os tecidos britânicos no mercado português.

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A produção duriense, estimulada pela procura inglesa crescente e preços altíssimos, tenta adaptar-se às novas exigências do mercado. Mas, como acontece a todos os grandes vinhos, o negócio rivaliza interesses, suscita fraudes e abusos.

Ora, a partir de meados do séc. XVIII, as exportações estagnam, ao passo que a produção vinhateira parece ter continuado a crescer. Os preços baixam em flecha e os ingleses decidem não comprar vinhos, acusando os lavradores de promover adulterações.

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Esta crise comercial conduzirá, por pressão dos interesses dos grandes vinhateiros durienses junto do governo do futuro Marquês de Pombal, à instituição da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, em 10 de Setembro de 1756.

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Com ela busca-se assegurar a qualidade do produto, evitando adulterações, equilibrar a produção e o comércio e estabilizar os preços. Procede-se à primeira «demarcação das serras». A região produtora é bordada por 335 marcos de pedra com a designação de Feitoria, designação que referendava o vinho da melhor qualidade, único que podia exportar-se para Inglaterra, vulgarmente conhecido por vinho fino. Define-se o conceito de cadastro.

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Na segunda metade de Oitocentos, um conjunto de factores conjuga-se para marcar o ponto de viragem do Douro pombalino para o Douro contemporâneo, promovendo profundas mudanças na viticultura duriense. Depois das destruições provocados nos anos cinquenta pelo oídio, é a filoxera que, a partir da década seguinte, reduz a mortórios grande parte do vinhedo da área demarcada. Em 1865, a instauração do regime de liberdade comercial constitui, de facto, ao nível regional, a abertura da linha de demarcação, permitindo a expansão rápida do vinhedo no Douro Superior, onde o ataque da filoxera foi mais tardio e menos violento.

Vila Nova de Gaia.  Caves do vinho do Porto.

Surgem novas práticas de preparação do terreno, alteram-se as práticas de plantação da vinha, seleccionam-se as melhores castas regionais para enxertia, difunde-se a utilização racional de adubos e fito – sanitários, aperfeiçoam-se os processos de vinificação…

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No final do século, é bem visível o impacto da filoxera no reordenamento do espaço regional.

Aos poucos reorganizado e estendendo-se agora a uma área muito maior, o vinhedo duriense contará, a partir de finais dos anos oitenta, com um outro inimigo, bem mais destruidor que as doenças da videira – a crise comercial. Paralelamente, a fraude. As imitações de vinho do Porto tornam-se frequentes nos principais mercados, onde se vendem os French Ports, os Hamburg Ports, os Tarragona Ports, por preços inferiores aos genuínos Port Wínes.

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Crise comercial, crise da lavoura, o Douro era um retrato de miséria.

Ao iniciar o seu governo de ditadura, a 10 de Maio de 1907, João Franco assinava um decreto que vinha regulamentar a produção, venda, exportação e fiscalização do vinho do Porto, regressando aos princípios que nortearam, 150 anos antes, a política pombalina de defesa da marca. Foi novamente demarcada a região produtora, abarcando agora o Douro Superior. Restabelecia-se o exclusivo da barra do Douro e do porto de Leixões para a exportação dos vinhos do Porto, reservando-se a denominação de Porto para os vinhos generosos da região do Douro, com graduação alcoólica mínima de 16,5º. A protecção e fiscalização da marca ficavam a cargo da Comissão de Viticultura da Região do Douro.

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Em contrapartida, o decreto de 27 de Junho, que veio regulamentar o comércio das aguardentes, proibia a destilação dos vinhos durienses, obrigando o Douro a receber de outras regiões vitícolas a aguardente para beneficiação dos seus vinhos, facto que motivou violenta contestação. O alargamento excessivo da área de demarcação suscitou também viva polémica. No ano seguinte, o governo do Almirante Ferreira do Amaral (decreto de 27 de Novembro) iria optar pela demarcação por freguesias, reduzindo a área produtora de vinho do Porto praticamente ao espaço da actual demarcação (dec. – Lei de 26 de junho de 1986), que corresponde à que foi estabelecido pelo decreto de 10 de Dezembro de 1921.

As exportações aumentaram a um ritmo nunca esperado, atingindo, em 1924/1925, mais de cem mil pipas, nível que só seria ultrapassado em finais da década de 1970.

Porém, a situação nas aldeias do Douro não parece ter sofrido melhorias significativas. A miséria e a fome agravavam-se com a subida dos impostos e dos preços dos produtos, no fim da Monarquia e durante a 1ª República. A agitação política e social do primeiro quartel do século XX marcou um dos períodos mais turbulentos da história do Douro. Manifestações, comícios, motins, incêndios de comboios com aguardente do Sul, assaltos a Câmaras e Repartições Públicas.

O novo regime nascido do levantamento militar de 28 de Maio de 1926 viria impor novas alterações na organização do comércio de vinho do Porto e da lavoura duriense, reforçando o intervencionismo estatal.

Logo em 1926, foi criado o Entreposto de Vila Nova de Gaia, que deveria funcionar como prolongamento da região produtora. Todas as empresas ligadas ao comércio do vinho passariam a ter aqui obrigatoriamente os seus armazéns de envelhecimento, acabando, na prática, com a comercialização directa, a partir do Douro.

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Em 1932, o regime corporativo organizava os Grémios da Lavoura, com representação dos Sindicatos locais, constituídos pelos proprietários cabeças – de – casal. Por seu turno, os Grémios Concelhios passariam a associar-se na Federação Sindical dos Viticultores da Região do Douro – Casa do Douro, organismo encarregado de proteger e disciplinar a produção. Regulamentação posterior (decreto de 30 de Abril de 1940) atribui-lhe poderes para elaborar a actualização do cadastro, distribuir o benefício, fornecer aguardente aos produtores, fiscalizar o vinho na região demarcada e conceder as guias para os vinhos a serem transportados para o Entreposto de Gaia.

Em 1933, era organizado o Grémio dos Exportadores do Vinho do Porto, associação do sector comercial com as funções de zelar pela disciplina do comércio.

As actividades da Casa do Douro e do Grémio dos Exportadores passam a ser coordenadas pelo Instituto do Vinho do Porto, organismo criado nesse mesmo ano, com as funções de estudo e promoção da qualidade, fiscalização e propaganda do produto.

Foi actualizado o cadastro dos vinhedos. De acordo com a localização, as características do terreno, as castas e a idade da vinha, a Casa do Douro atribui anualmente a cada viticultor uma autorização para produzir uma quantidade de mosto determinada, a que corresponde uma certa qualidade (da letra A, o melhor, até à letra F) e um preço correspondente. É o sistema de benefício.

A partir dos anos 50, desenvolve-se o movimento cooperativo, que, nos inícios da década seguinte, abarcará cerca de 10% do número de produtores e da produção vinícola regional.

Após 1974, a organização corporativa é extinta, mas a Casa do Douro e o Instituto do Vinho do Porto mantêm as suas funções básicas de defesa da qualidade da marca. Por seu turno, o Grémio dos Exportadores deu lugar à Associação dos Exportadores do Vinho do Porto, que passou a designar-se, mais recentemente, Associação das Empresas de Vinho do Porto.

Entre as empresas exportadoras, tem-se verificado uma tendência para a concentração. Paralelamente, algumas dessas empresas têm realizado grandes investimentos na área da produção, adquirindo quintas e vinhedos, e fazendo novas plantações. Em movimento inverso, alguns produtores lançam-se, desde 1978, no circuito da comercialização directa, recuperando uma prática perdida em 1926. Em 1986, cria-se a Associação de Produtores Engarrafadores de Vinho do Porto, visando sobretudo a exportação directa, a partir das quintas do Douro, em nome dos respectivos produtores.

Em 1995, a região Demarcada do Douro viu alterado o seu quadro institucional. Passou a estar dotada de um organismo interprofissional, – a Comissão Interprofissional da Região Demarcada do Douro (CIRDD), no qual tinham assento, em situação de absoluta paridade, os representantes da lavoura e do comércio, com o objectivo comum de disciplinar e controlar a produção e comercialização dos vinhos da região com direito a denominação de origem. As alterações introduzidas respeitaram, contudo, as especificidades históricas, culturais e sociais da região, seguindo as linhas orientadoras da lei – quadro das regiões demarcados vitivinícolas. Duas secções especializadas compunham o Conselho Geral da CIRDD determinando as regras aplicáveis a cada uma das denominações: uma relativa à denominação de origem “Porto” e outra aos restantes vinhos de qualidade (“vqprd“) da região.

Este modelo veio a sofrer nova alteração em 2003, com a substituição da CIRDD por um Conselho Interprofissional integrado no Instituto dos Vinhos do Douro e Porto.

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O Vinho do Porto é um vinho licoroso, produzido na Região Demarcada do Douro, sob condições peculiares derivadas de factores naturais e de factores humanos. O processo de fabrico, baseado na tradição, inclui a paragem da fermentação do mosto pela adição de aguardente vínica (benefício ou aguardentação), a lotação de vinhos e o envelhecimento.

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O Vinho do Porto distingue-se dos vinhos comuns pelas suas características particulares: uma enorme diversidade de tipos em que surpreende uma riqueza e intensidade de aroma incomparáveis, uma persistência muito elevada quer de aroma quer de sabor, um teor alcoólico elevado (geralmente compreendido entre os 19 e os 22% vol.), numa vasta gama de doçuras e grande diversidade de cores. Existe um conjunto de designações que possibilitam a identificação dos diferentes tipos de Vinho do Porto.

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A cor dos diferentes tipos de Vinho do Porto pode variar entre o retinto e o alourado-claro, sendo possíveis todas as tonalidades intermédias (tinto, tinto-alourado, alourado e alourado-claro). Os Vinhos do Porto Branco apresentam tonalidades diversas (branco pálido, branco palha e branco dourado), intimamente relacionadas com a tecnologia de produção. Quando envelhecidos em casco, durante muito anos, os vinhos brancos adquirem, por oxidação natural, uma tonalidade alourada-claro semelhante à dos vinhos tintos muito velhos.

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Em termos de doçura, o vinho do porto pode ser muito doce, doce, meio-seco, ou extra seco. A doçura do vinho constitui uma opção de fabrico, condicionada pelo momento de interrupção da fermentação.

Os Vinhos do Porto podem ser divididos em duas categorias consoante o tipo de envelhecimento.

Estilo Ruby

São vinhos em que se procura suster a evolução da sua cor tinta, mais ou menos intensa, e manter o aroma frutado e vigor dos vinhos jovens. Neste tipo de vinhos, por ordem crescente de qualidade, inserem-se as categorias Ruby, Reserva, Late Bottled Vintage (LBV) e Vintage. Os vinhos das melhores categorias, principalmente o Vintage, e em menor grau o LBV, poderão ser guardados, pois envelhecem bem em garrafa. São especialmente aconselhados os LBV e os Vintage.

Estilo Tawny

Obtido por lotação de vinhos de grau de maturação variável, conduzida através do envelhecimento em cascos ou tonéis. São vinhos em que a cor apresenta evolução, devendo integrar-se nas sub-classes de cor tinto-alourado, alourado ou alourado-claro. Os aromas lembram os frutos secos e a madeira; quanto mais velho é o vinho mais estas características se acentuam. As categorias existentes são: Tawny, Tawny Reserva, Tawny com Indicação de Idade (10 anos, 20 anos, 30 anos e 40 anos) e Colheita. São vinhos de lotes de vários anos, excepto os Colheita, que se assemelham a um Tawny com Indicação de Idade com o mesmo tempo de envelhecimento.

Quando são engarrafados estão prontos para serem consumidos. Aconselham-se os vinhos das categorias Tawny com Indicação de Idade e Colheita.

Branco

O Vinho do Porto branco apresenta-se em vários estilos, nomeadamente associados a períodos de envelhecimento mais ou menos prolongados e diferentes graus de doçura, que resultam do modo como é conduzida a sua elaboração. Aos vinhos tradicionais, juntaram-se os vinhos de aroma floral e complexo com um teor alcoólico mínimo de 16,5% (Vinho do Porto Branco Leve Seco) capazes de responder à procura de vinhos menos ricos em álcool.

Rosé

Vinho de cor rosada obtido por maceração pouco intensa de uvas tintas e em que não se promovem fenómenos de oxidação durante a sua conservação. São vinhos para serem consumidos novos com boa exuberância aromática com notas de cereja, framboesa e morango. Na boca são suaves e agradáveis. Devem ser apreciados frescos ou com gelo, podendo ainda ser servidos em diversos cocktails.

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CATEGORIAS ESPECIAIS

Estes estilos encerram em si vinhos de elevada notoriedade conhecidos como categorias especiais

Estilo Ruby: Envelhecimento em garrafa

Porto Ruby Reserva

Encorpados, ricos e de tons vermelho rubi escuros, estes vinhos frequentemente resultam de uma selecção dos melhores vinhos do Porto de cada ano, combinados para criar um vinho jovem, poderoso, frutado e intenso e, no entanto, redondo e versátil.

Porto Late Bottled Vintage (LBV)

É um Porto Ruby de um só ano, seleccionado pela sua elevada qualidade engarrafado depois de um período de envelhecimento de entre quatro a seis anos. A maioria está pronta a ser consumida na altura da compra, mas alguns continuam o seu envelhecimento em garrafa (verifique o rótulo). O Porto LBV apresenta cores vermelho rubi intensas, é muito encorpado e rico na boca e tem a particularidade de estilo e personalidade de um vinho de uma só colheita.

Porto Vintage

Considerado por muitas pessoas como a jóia da coroa dos vinhos do Porto, é o único Porto que amadurece em garrafa. Produzido a partir de uvas de um único ano e engarrafado dois a três anos após a vindima, evolui gradualmente durante 10 a 50 anos em garrafa. O encanto do Porto Vintage reside no facto de ser atractivo em praticamente todas as fases da sua vida em garrafa. Nos primeiros cinco anos mantém a intensidade rubi das cores originais, aromas exuberantes a frutos vermelhos e silvestres e o sabor do chocolate negro, tudo equilibrado por fortes taninos, que combinam na perfeição com sobremesas ricas de chocolate. Após dez anos – e para além de criar um depósito médio – desenvolve tons vermelho granada e atinge uma deliciosa plenitude de aromas e sabores a frutos maduros.

À medida que o vinho se aproxima da maturidade, a cor evolui para os tons âmbar ricos e a sua fruta adquire maior subtileza e complexidade e o seu depósito torna-se mais pesado.

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Estes vinhos são de alta qualidade, distinguindo-se pelo facto de serem simultaneamente de um só ano e originários de uma única vinha, o que lhes confere um carácter ímpar.

Estilo Tawny: Envelhecimento em madeira

Porto Tawny Reserva

Envelhecido em madeira de carvalho, podem apresentar grande elegância de sabores, numa combinação perfeita entre a fruta da juventude e a maturidade da idade, revelada também pelas suas atractivas cores âmbar médio.

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Revelando um pouco mais de evolução do que o Porto Tawny Reserva, estes vinhos possuem semelhanças, embora com a garantia de que o vinho possui as características de um vinho com dez anos de idade.

Porto Tawny 20 anos

Com uma gama de cores que vão do âmbar avermelhado ao âmbar dourado, estes vinhos são raras preciosidades, plenas de frutos e sabores mais evoluídos, concentrados pelo envelhecimento em pequenas pipas de carvalho. Têm grande intensidade de aromas e sabores a baunilha torrada e a frutos secos, equilibrados por notas delicadas de carvalho.

Porto Tawny 30 anos

Alguns Portos são seleccionados para um envelhecimento mais longo em pipas de madeira. A exposição gradual ao ar concentra e intensifica a sua fruta inicial, originando características mais complexas, como mel e especiarias sublinhados por aromas profundos a alperces secos, avelãs e baunilha.

30 anos

Porto Tawny 40 anos

A classificação de idade final dos Portos Tawny apresenta-nos vinhos maravilhosamente concentrados e complexos. Intensos, eles quase explodem na boca, enchendo o paladar de aromáticos sabores que nos arrebatam os sentidos.

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Porto Colheita

Estes Tawnies de uma só colheita são envelhecidos em cascos por um período mínimo de sete anos, originando vinhos com amplitudes de cor que vão do tinto aloirado ao aloirado, dependendo da sua idade. Igualmente os aromas e sabores evoluem ao longo do tempo originando diversos estilos de Tawnies.

Categorias especiais do Vinho do Porto Branco

Os Vinhos do Porto podem ostentar as menções Reserva ou Indicação de Idade (10, 20, 30 ou + 40 anos) desde que cumpridas as formalidades inscritas nos regulamentos do Vinho do Porto sobre esta temática.

COR

A cor dos diferentes tipos de Vinho do Porto pode variar entre o retinto e o alourado-claro, sendo possíveis todas as tonalidades intermédias (tinto, tinto-alourado, alourado e alourado-claro). Os Vinhos do Porto Branco apresentam tonalidades diversas (branco pálido, branco palha e branco dourado), intimamente relacionadas com a tecnologia de produção. Quando envelhecidos em casco, durante muito anos, os vinhos brancos adquirem, por oxidação natural, uma tonalidade alourada claro semelhante à dos vinhos tintos muito velhos.

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DOÇURA

 

Em termos de doçura, o Vinho do Porto pode ser muito doce, doce, meio-seco, seco ou extra seco. A doçura do vinho constitui uma opção de fabrico, condicionada pelo momento da interrupção da fermentação. No quadro seguinte, faz-se a caracterização dos vários tipos de Vinho do Porto quanto à doçura.

 

Classe de doçura

Valores extremos de massa volúmica a 20 °C: ºBaumé

Açúcares
(g/l)

Extra-seco

< 0,9980 g/cm3 0,0 <40

Seco

de 0,9980 g/cm3 a 1,0079 g/cm3 0,0 – 1,3 40 – 65

Meio-seco

de 1,0080 g/cm3 a 1,0179 g/cm3 1,4 – 2,7

65 – 90

Doce de 1,0180 g/cm3 a 1,0339 g/cm3 2,8 – 5,0

90 – 130

Muito doce > 1,0340 g/cm3 >5,0

>130

 

 

ENOLOGIA

 

Processo de Vinificação ao longo dos tempos

Até cerca de 1756, a elaboração dos ‘vinhos de embarque‘, como na altura se apelidavam os Vinhos do Porto seguiam o chamado ‘processo antigo’ de vinificação. A aguardentação (sempre em pequeno volume) só tinha lugar depois de terminada a fermentação, obtendo-se assim vinhos secos.

No ano de 1820, surge o processo de aguardentação dito ‘moderno’ em que se passou a provocar a paragem da fermentação, daí resultando vinhos com prova adamada. Este processo de elaboração só passa a ser generalizado em 1852, altura em que os vinhos começam a se assemelhar aos que hoje encontramos.

VINTAGES

  • 2011

O Inverno foi chuvoso, principalmente em dezembro e a Primavera quente e seca. O Verão foi fresco e seco com duas exceções em finais de agosto, início de setembro. Setembro iniciou-se com temperatura amena, mas registou valores da temperatura máxima do ar acima da média Os vinhos apresentam uma boa cor profunda, aromas intensos com alguma elegância. Na boca são frescos (boa acidez) e estruturados. São vinhos com um caracter clássico de um bom ano Vintage mas com alguma fineza/polimento, augura-se por isso uma grande longevidade para estes vinhos. Se compararmos com os dois últimos anos declarados são menos elegantes mas mais potentes e estruturados dos que os 2007 e são menos rústicos do que os de 2003.

  • 2007

Meses de Novembro e Fevereiro especialmente chuvosos, tendo voltado a ocorrer precipitação acima da média em Maio e sobretudo em Junho, principalmente no Douro Superior. Entre Maio e Agosto as temperaturas foram abaixo das médias, em particular no Douro Superior. Apesar de o ano vitícola ter principiado com doenças na vinha, as temperaturas amenas de Agosto e um Setembro seco e quente permitiram obter uvas equilibradas. Vinhos de excelente qualidade, elegantes, finos com estrutura e taninos aveludados. Maior declaração de Vintage até à data.

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  • 2003

Inverno normal e chuvoso. Primavera seca. Temperaturas normais para a época excepto o final de Julho e inicio de Agosto (45º durante o dia e 30º à noite). Temperaturas anormalmente altas durante a vindima. Vinhos encorpados com taninos que lhes conferem bom potencial de envelhecimento. Qualidade excepcional.

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  • 2000

Inverno seco, com menos 15/40% de chuva. Fevereiro e Março quentes, chuva em Abril e Maio. Alguma chuva de Junho a Agosto. Maturação lenta: vindima atrasada duas semanas. Temperatura em Setembro a rondar os 40º. Vinhos de excelente qualidade, concentrados e apelativos desde novos, fruta muito evidente.

  • 1997

Ano atípico. Inverno seco caracterizado por um mês de Fevereiro quente. Primavera chuvosa e o mês de Maio frio. Verão longo, quente e seco. Vinhos ricos em taninos, sendo alguns de excelente qualidade.

  • 1994

Um Vintage «monumental», ainda mais intenso que o de 1992, com concentração de taninos e fruto. Segundo escreveu James Suckling, na revista americana Wine Spectator que, em 1997, atribuiu a classificação máxima (100 pontos) aos Vintage da Taylor e da Fonseca, e o primeiro lugar entre os cem melhores vinhos do ano, «Grandes Vintage Ports como os deste ano acontecem poucas vezes numa vida inteira». Declaração geral. Tempo excelente, vindimas em condições ideais, com uvas perfeitas.

  • 1992

Vintage excepcional, com concentração de taninos e fruto.

  • 1991

Vintage excelente, harmonioso e rico. Verão quente e seco, apenas com chuvas ligeiras no início de Setembro. Vindima em condições ideais.

  • 1989

Verão muito quente. Vindima precoce, com condições climáticas ideais. Alguns vinhos excelentes.

  • 1987

Inverno e Primavera muito secos. Maturação lenta. Verão muito quente e seco. Vindima precoce, no início de Setembro. Não foi ano Vintage, devido à baixa produção. Poucas casas declararam, embora fossem feitos vários single-quinta. Vinhos muito finos e frutados.

  • 1985

Vinhos de aroma muito fino. Qualidade excepcional. Um Vintage clássico, com aromas intensos e uma estrutura firme em frutado e taninos. Quase todas as empresas declararam. Tempo excelente. Início do Inverno frio, mas Fevereiro e Março quentes. Alguma chuva na Primavera e temperaturas normais até ao Verão. Junho muito quente, a que se seguiu um Verão normal. Vindima em condições perfeitas.

  • 1983

Inverno seco e grande parte da Primavera chuvosa. Floração pobre em muitas vinhas. Ano anormalmente frio, incluindo o mês de Agosto. Setembro quente. Vindima tardia e perfeita. Alguns Vintage excepcionais. Algumas casas não declararam, porque optaram por declarar o ano anterior, embora o de 1983 seja considerado melhor por diversos enófilos. Rico em taninos, muito aromático e com grande capacidade de envelhecimento.

  • 1982

Ano muito seco. Inverno frio. Boa floração. Verão muito quente. Uma das vindimas mais precoces. Fraca produção, mas boa qualidade, vinhos delicados e elegantes, com grande concentração de aromas. Muitas empresas declararam.

  • 1980

O Inverno foi seco. A floração (pobre) decorreu com tempo chuvoso e frio, mas o Verão foi quente e seco, chovendo apenas em finais de Setembro, antes das vindimas. Qualidade excepcional, mas quantidade abaixo do normal. Vinhos retintos e frutados. Quase todas as empresas declararam.

  • 1978

Após uma Primavera em que as condições climáticas foram muito más, um longo Verão quente propiciou alguns bons vinhos. São declarados dez Single Quinta Vintage, entre os quais o primeiro Vintage de produtor (Quinta do Infantado), engarrafado no Douro.

  • 1977

Um Vintage clássico. Vinhos retintos e frutados, ricos em taninos, com grande capacidade de envelhecimento. Quase todas as empresas declararam. Frio e chuva nos primeiros meses do ano. Floração tardia e maturação lenta. Verão moderado. mas Setembro muito quente.

  • 1975

Primeiro Vintage declarado depois da Revolução de Abril de 1974. Primeiro Vintage engarrafado totalmente em Portugal, por determinação legal. Depois de um Inverno chuvoso, ano quente e seco, em especial no Verão. Alguma chuva no início de Setembro, antes da vindima. Vindima tardia, no início de Outubro. Pequena produção. Quase todas as empresas declararam, embora poucos vinhos sejam excepcionais, revelando-se menos duráveis do que se esperava.

  • 1970

Um Vintage de qualidade excepcional, com grande harmonia de fruto e taninos, assegurando grande longevidade. Quase todas as empresas declararam. Choveu muito em Janeiro e Fevereiro, seguindo-se um mês de Março frio e seco. O tempo tornou-se quente a partir de Abril, favorecendo uma boa floração e amadurecimento das uvas. Choveu em Agosto e no início de Setembro, mas a vindima decorreu com tempo seco e muito calor, atingindo em certas zonas os 45¨C. Vinhos muito maduros.

  • 1967

Ano anormalmente frio no início do Inverno, com temperaturas a descerem abaixo dos 0° C. Floração tardia e escassa. Verão quente, com algumas trovoadas. Vindima tardia, em boas condições. Apareceram alguns vinhos excelentes, doces e frutados, declarados por um pequeno número de empresas.

  • 1966

Qualidade excepcional. Vinhos muito doces e ricos em taninos, alguns sublimes, com grande capacidade de envelhecimento. Quase todas as empresas declararam. Inverno normal, com alguma chuva, mas depois ano seco entre Abril e Setembro. Uvas com alto teor de açúcar, algumas queimadas. Apenas choveu levemente no início das vindimas (final de Setembro). Pouca produção.

  • 1963

Um Vintage clássico, intenso e equilibrado, retinto, frutado e com grande capacidade de envelhecimento. «Um Vintage apoteose», no dizer de Chantal Lecouty. Quase todas as empresas declararam. Grande produção. Inverno normal e Primavera fria e chuvosa, mas com bom tempo na floração. Verão quente e seco. Chuviscou apenas antes das vindimas. Durante a vindima (finais de Setembro), tempo perfeito, com dias de muito calor e noites frescas.

  • 1960

Qualidade excelente, com vinhos elegantes e doces, com boa estrutura e com muita cor e corpo.. Quase todas as empresas declararam. Ano muito quente e com maturação precoce. As vindimas começaram na segunda semana de Setembro, primeiro com tempo quente, mas com chuva miudinha e frio após 24 de Setembro, o que prejudicou as vindimas mais atrasadas.

  • 1958

Apesar da humidade do ano, houve alguns vinhos excelentes, com aroma e paladar muito finos. Após o Verão frio e chuvoso, o início do Outono foi muito quente e as vindimas decorreram em condições perfeitas. Algumas firmas não declararam pela proximidade do excelente Vintage de 1955.

  • 1955

Qualidade excelente. Vinhos harmoniosos, encorpados, retintos e muito frutados. Quase todas as empresas declararam. Inverno chuvoso. Verão quente.

  • 1950

Um vinho delicado e doce. Chamaram-lhe «the lady’s vintage». Verão frio. Vindimas atrasadas, mas em condições de tempo perfeitas.

  • 1948

Um Vintage clássico. Ano quente. Vindima feita com tempo muito quente (atinge 45° C). Muitas uvas passadas e muito doces, no Cima Corgo, de tal forma que foi difícil, em certos casos, controlar a fermentação. Pouca quantidade. Vinho muito doce e encorpado. Suckling diz que é um daqueles «vinhos mágicos», feitos para durar cem anos ou mais.

  • 1947

Vintage excepcional, elegante e muito fino. Ano com condições de tempo ideais. A produção foi maior do que se esperava.

  • 1945

Vintage clássico, encorpado, retinto e doce, com grande concentração de fruto e taninos. Primeiro Vintage do pós-Guerra. Engarrafado em Portugal, devido às restrições inglesas. Quase todas as empresas declararam. Ano de baixa produção. Ano seco, com Verão muito quente, apenas com algumas chuvas em finais de Agosto. As vindimas começaram cedo, na primeira quinzena de Setembro.

  • 1942

Qualidade excelente, elegante e frutado. Primeiro Vintage engarrafado quase exclusivamente em Portugal, devido à Guerra. Escassa produção.

  • 1935

Um Vintage clássico, mas algumas empresas não declararam, por terem declarado o do ano anterior (exemplo de um «split Vintage»). Vinho harmonioso, com riqueza de aromas frutados e rico em taninos. Inverno seco, Primavera anormalmente fria, com algumas geadas. Floração e frutificação tardias. Verão inconstante, mas vindima em condições ideais. Em 1937, a Sandeman engarrafou totalmente o seu Vintage 1935, comemorando, simultaneamente, o Jubileu de George V (1935) e a Coroação de George VI (1937), através de dois medalhões alusivos gravados nas garrafas.

  • 1934

Qualidade excepcional, maduro e frutado, apesar de ser um ano de tempo inconstante. Inverno seco, Primavera chuvosa. Floração e frutificação tardias. Julho muito quente. Algumas chuvas em Setembro. Vindima tardia no início de Outubro, com tempo ideal.

  • 1931

Uma novidade excepcional, uma das melhores do século, com vinhos ricos em aromas frutados e taninos, com grande capacidade de envelhecimento. Mas poucas casas declararam, devido à crise internacional que provocou uma redução da procura dos vinhos caros; muitos stocks do excelente vintage de 1927 ainda estavam por vender. Distingue-se o primeiro Vintage do Noval com a designação Nacional, considerado, em 1999, pela revista americana Wine Spectator um dos 12 melhores vinhos do mundo do século XX. O Inverno foi seco e o Verão excepcionalmente frio e seco, incluindo o mês de Agosto. Em Setembro, o tempo aqueceu e caiu alguma chuva. Vindima tardia, no final de Setembro, com tempo ideal. Apesar do tempo ter sido bastante irregular, fizeram-se alguns vinhos notáveis.

  • 1927

Um clássico, dos melhores Vintage do século, retinto, com grande concentração e equilíbrio de aromas. Foi também uma das maiores colheitas de sempre. A chuva que caiu no final de Setembro foi benéfica. Vindima tardia, no início de Outubro, com tempo muito quente. Uvas muito maduras, algumas queimadas Todos os exportadores declararam, produzindo quantidades acima do normal. Exportado em 1929, coincidiu com a Grande Depressão e os negociantes de Londres tiveram dificuldade em vendê-lo. Uma parte deles foi usada, em Londres, para fazer lotações de vinhos do Porto correntes.

  • 1924

Vintage excelente, retinto, com bom corpo e aroma. Quase todas as grandes casas exportadoras declararam. Verão excepcionalmente frio. Alguma chuva em Setembro, mas as vindimas, no final desse mês, decorreram com bom tempo. Escassa produção.

  • 1922

Vintage excelente, em cor, corpo e força, muito delicado. Quase todas as grandes casas exportadoras declararam. Vindima tardia no início de Outubro, com bom tempo.

  • 1920

Vintage excelente, muito elegante, equilibrado, frutado. Primeiro Vintage depois da Grande Guerra. Quase todas as empresas declararam. Primavera com mau tempo. Abril muito frio e chuvoso, com trovoadas, Junho com um surto de míldio. Vindima tardia, no início de Outubro, depois de um Verão quente. Novidade escassa.

  • 1917

Grande Vintage, rico em aromas e taninos, encorpado e com muita cor. Muitas empresas declararam. Outras não o fizeram, devido à conjuntura de guerra. Primavera tardia e Verão muito quente e seco, apenas com alguma chuva em Setembro. Vindima tardia, na segunda semana de Outubro, com tempo ideal. Algumas uvas queimadas. Bom ano em qualidade e quantidade.

  • 1912

Um Vintage clássico, encorpado, com concentração e harmonia de fruto e taninos. Quase todas as empresas declararam. Ano excepcional em qualidade e quantidade.

  • 1911

Um grande Off-Vintage: a Sandeman declarou, isoladamente, o «Vintage Coronation», em comemoração da subida ao trono de Jorge V. Uma excepção num ano geralmente fraco. Segundo Ernest Cockburn, este Vintage da Sandeman «será recordado durante muito tempo como um exemplo de tudo o que há de superior no Vintage Port». Vindima tardia, em Outubro, com muito calor, depois de algumas chuvas torrenciais no final de Setembro. Uvas muito maduras, atingindo em algumas zonas do Cima Corgo mais de 16°, mas algumas já passas ou podres. Poucos vinhos bons, com muita cor, corpo e doçura.

  • 1908

Grande Vintage, fino, equilibrado, retinto e encorpado, muito maduro e com um aroma tradicional de «café torrado». Todas as empresas declararam. Inverno frio, Primavera e Verão muito quentes, em especial no tempo da vindima (finais de Setembro), de tal forma que alguns produtores tiveram problemas para controlar a fermentação do mosto.

  • 1904

«Vintage elegante» e frutado, mas pouco retinto. Todas as empresas declararam. Devido à dificuldade de arranjar aguardente em Portugal, muitos vinhos foram fortificados com aguardente alemã e álcool de cereais ou batata. Ano seco, com chuvas leves em meados de Setembro que foram benéficas para refrescar as uvas. As vindimas feitas logo a seguir decorreram com bom tempo. Uvas muito maduras. Vindima muito abundante.

  • 1900

Grande Vintage, em qualidade e quantidade. Vinhos delicados e harmoniosos embora com menos cor e corpo que os Vintage mais famosos. Quase todas as empresas declararam. Vindima tardia, no final de Setembro – início de Outubro, com bom tempo, depois de alguns dias de chuva.

  • 1897

Vintage excelente, de cor e sabor notáveis, segundo alguns enófilos melhor que o de 1896, mas poucas empresas declararam, dado terem feito Vintage no ano anterior. As primeiras vindimas foram feitas com tempo muito quente, provocando fermentações muito rápidas em alguns lagares. Depois, o tempo arrefeceu e a qualidade do mosto melhorou. Segundo Warner Allen, os melhores 1896 tinham algum 97 adicionado. Houve falta de aguardente para beneficiar os vinhos. Fazem-se importações de álcool e aguardente da Islândia, Dinamarca e Alemanha. A Sandeman fortificou o seu Vintage 97, considerado lendário, com Whisky escocês.

  • 1896

Vintage excepcional. Todas as empresas declararam. Vinhos pouco maduros na altura da vindima (que começou cedo, na primeira quinzena de Setembro), com menos cor e corpo do que o normal numa grande novidade. Mas desenvolveram surpreendentemente bem em garrafa.

  • 1894

Bons vinhos, mas pequenas quantidades. Muitas vinhas atacadas pelo míldio. Muitas empresas declararam. Dificuldade de arranjar aguardente. Alguns vinhos fortificados com aguardente dos Açores, mas nos melhores continua a usar-se aguardente do Douro. Verão quente e seco, com alguma chuva no final de Setembro. Vindimas tardias no início de Outubro, com tempo ideal.

  • 1892

Alguns bons vinhos, mas pequenas quantidades. Muitas empresas declararam. Dificuldade de arranjar aguardente. Alguns vinhos fortificados com aguardente dos Açores. Verão quente e seco. Uvas muito maduras de tal forma que em alguns lagares houve dificuldade em controlar a fermentação.

  • 1890

Alguns bons Vintage, um pouco leves e secos. Poderia ter sido melhor se a vindima tivesse sido um pouco atrasada. Vaga de calor no início de Setembro, seguida de chuvas em meados do mês, mas as vindimas decorreram com tempo perfeito. Produção escassa. Muitas empresas declararam.

  • 1887

Vintage « Queen Victoria’s Jubilee», Verão quente, vindimas realizadas em condições ideais, com dias quentes e noites frescas. Todas as empresas declararam. Houve quem considerasse um dos melhores anos do século XIX, comparável a 1834. Produção escassa.

  • 1884

Alguns grandes Vintage. Muitas empresas declararam. Julho muito quente. Chuvas no fim de Agosto provocaram grande quantidade de «podre». Vindima tardia. Os vinhos revelaram-se melhores do que se esperava. Produção escassa devido à filoxera.

  • 1881

Vinhos que prometiam tornar-se excelentes quando foram engarrafados mas muitos deles revelaram-se uma desilusão. Muitas empresas declararam. Vários exportadores consideravam que, devido à filoxera, no futuro não se fariam mais Vintage.

  • 1878

Vintage excepcional, muito fino. Todas as empresas declararam. Ainda muito bom, em 1978, segundo Ben Howkins. Em Julho as notícias do Douro, segundo Ernest Cockburn, eram alarmantes, antecipando uma vindima tardia e muito pequena, devido à filoxera. Tempo inconstante durante Julho e Agosto, mas as vindimas, feitas a partir de meados de Setembro, decorreram com óptimo tempo. Mas, no Cima Corgo, produção muita escassa, metade da do ano anterior. Muitos proprietários decidem não voltar a cultivar as suas vinhas.

  • 1875

Bons Vintage, finos e elegantes, sobre o seco, mas revelaram-se aquém das expectativas, amadurecendo depressa. Todas as empresas declararam. Verão quente e seco. Uvas quase passas com grande teor de açúcar. Produção escassa, devido ao avanço rápido da filoxera.

  • 1873

Grande Vintage, com características de doçura. Quase todas as empresas declararam. Vindima tardia, em condições de tempo ideais.

  • 1872

Excelente Vintage, com vinhos muito finos e ricos que provaram ser melhores do que inicialmente se esperava. Muitas empresas declararam e outras não o fizeram porque optaram por privilegiar o ano anterior.

  • 1870

Grande Vintage, muito fino e encorpado, comparável segundo alguns negociantes, ao de 1834. Todas as empresas declararam. Produção escassa.

  • 1868

Um dos Vintage mais finos do século XIX, muito ricos e fortes. Ano muito quente. Em Agosto as uvas pareciam queimadas e o ano condenado. Mas uma chuva fina caída antes das vindimas salvou a colheita. Todas as empresas declararam.

  • 1865

Alguns vinhos bastante bons. Muitas empresas declararam.

  • 1863

Grande Vintage, um dos melhores anos na história do Vinho do Porto, segundo Ernest Cockburn. Ano muito quente até fins de Agosto. Todas as empresas declararam.

  • 1861

Alguns vinhos muito bons.

  • 1860

Ano com bons vinhos.

  • 1858

Um dos grandes Vintage do século XIX, muito encorpado. Vindima precoce, no início de Setembro.

  • 1854

Alguns vinhos muito bons.

  • 1853

Ano muito chuvoso, sem Primavera. Má floração e Oídio. Mas nas encostas mais fragosa houve algum vinho muito fino.

  • 1851

Vintage excelente, muito fino, comparável, segundo Forrester, à novidade de 1820.

  • 1850

Alguns bons vinhos.

  • 1847

Grande Vintage. Vindima tardia.

  • 1844

Vinho fino, excelente novidade.

  • 1842

Vinhos excelentes. «Grande procura de vinhos encorpados, doces e com muita cor», segundo Forrester.

  • 1840

Grande Vintage. «Vinhos geralmente puros e secos», muito finos, segundo Forrester.

  • 1834

Vintage famoso, muito fino, um dos melhores do século XIX.

  • 1830

Alguns vinhos excelentes.

  • 1827

Alguns vinhos muito bons.

  • 1822

Alguns vinhos bons comparáveis com os da novidade de 1821, mas só onde as vindimas foram feitas cedo.

  • 1821

Excelente Vintage em qualidade e quantidade. O «Juízo do Ano» da Companhia considera que «a dita novidade tem madureza, bom cheiro e gosto, e que se aproxima à do ano pretérito de 1820, com a qual a comparam, posto que com menos alguma cor, e madureza; observando contudo haverem tonéis de vinho de qualidade ainda mais superior à dita Novidade passada … ».

  • 1820

Uma «excelente novidade…em que todos os vinhos foram naturalmente(e fora do costume) cheios, doces e saborosos» (Forrester), mas pouca quantidade.

  • 1815

«Waterloo Port» um dos grandes Vintages do século XIX. Vintage-sensação nas grandes Exposições Internacionais da segunda metade de Oitocentos, ainda era comercializado nos anos trinta do nosso século.

  • 1812

Excelentes vinhos, «muito finos».

  • 1811

Vintage «Comet». Ano de grande «esterilidade» e de guerra.

  • 1810

Alguns vinhos muito bons, com aroma e paladar finos, mas pouco encorpados.

  • 1806

Excelente Vintage.

  • 1802

Alguns vinhos muito bons.

  • 1798

Vinhos de grande qualidade, segundo alguns melhor que a de 1786, mas Henderson considera que o vinho deste ano foi «muito mau».

  • 1797

Henderson considera o vinho deste ano«muito mau, Tawny» mas, segundo o Juízo do Ano da Companhia, a qualidade foi razoável. Ano de grande produção, com alguns vinhos excepcionais. Em 1809, durante as invasões francesas, num jantar com Wellington, em Torres Vedras, G. Sandeman referiu-se a este vinho como «o mais fino de todos». Um dos convidados, o General Calvert, pediu a Sandeman para lhe enviar para Inglaterra duas pipas desse vinho, uma delas para oferecer ao Duque de York, Comandante Chefe do Exército Britânico. Desde então, o Sandeman 1797 ficou conhecido como «Porto Duque de York ».

  • 1796

Boa novidade.

  • 1790

Algum vinho muito bom. Segundo a Sandeman, foi o primeiro Vintage engarrafado em 1792 por George Sandeman, coincidindo com o início da actividade da empresa em Londres. Em finais do século XIX, ainda aparecem à venda garrafas de vinho desta novidade. Escassa produção.

  • 1786

Vinhos muito finos. Produção escassa.

  • 1784

Vinhos de boa qualidade. Produção escassa, embora o Juízo do Ano da Companhia tenha declarado «ano abundante».

  • 1781

Algum vinho muito bom.

  • 1780

Considerado um bom ano, quer em qualidade quer em quantidade, embora inferior à colheita excelente do ano anterior.

  • 1779

Segundo o juízo do ano, emitido pela Companhia, vinho de “qualidade superior”, que «raras vezes costuma haver». Grande produção.

  • 1775

Vintage excepcional, muito fino, semelhante ao de 1765. Segundo alguns autores ingleses, trata-se do primeiro vinho do Douro exportado para Inglaterra a poder reclamar o título de verdadeiro “Vintage Port”.

  • 1765

Ano de Grande qualidade. Vinho “memorável”. Primeiro Vintage a aparecer num catálogo da Christie’s em 1768.

  • 1756

Vinhos de boa qualidade, a contrastar com as péssimas novidades dos anos anteriores. Em finais do século XIX (1896), a Companhia Vinícola do Norte de Portugal tinha à venda garrafas deste vinho, pertencentes à sua frasqueira particular.

 FONTE: IVDP

1 Comentário

  1. Parabéns, uma aula para quem aprecia o vinho do Porto.

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