Algarve Trade Experience 2026: o cinema encontrou-se com o vinho

A 11.ª edição do Algarve Trade Experience, promovida pela Garrafeira Soares, transformou o Palácio de Congressos do Algarve, em Albufeira, num verdadeiro palco cinematográfico para o setor das bebidas. Nos dias 9 e 10 de março, mais de três mil profissionais e cerca de quinhentas marcas nacionais e internacionais cruzaram-se para debater inovação, tendências de consumo e partilhar experiências.

O Clube de Vinhos Portugueses acompanhou de perto esta “Cinema Edition”, onde a programação, as conversas e até a cenografia foram pensadas com referências às grandes películas da Sétima Arte, voltámos com prazer e a certeza que ninguém dá por tempo perdido a ida a este certame, pela organização, pelas pessoas que estão a fazer acontecer e pelo propósito e bom gosto que tem pautado anualmente.

Voltámos junto da família Soares com gosto.

Um certame profissional com ambição cinematográfica

Pela primeira vez, a organização optou por um formato integralmente B2B, o que saudamos e acreditamos que os profissionais também agradecem.

O objetivo era claro: dar espaço às marcas para apresentarem portefólios, discutirem estratégias e criarem redes de contacto sem a dispersão que um público generalista poderia causar. No imenso auditório, convertido em sala de projeção e palco de debate, desfilaram workshops técnicos, provas especiais e as Wine & Spirits Talks, momentos em que produtores, enólogos, bartenders e distribuidores refletiram sobre o futuro das bebidas, as instalações tinham as condições óptimas para fluir importantes conteúdos e partilhas.

Entre os temas que dominaram as conversas estiveram a crescente importância da saúde e do consumo moderado, as alternativas ao álcool como segmento complementar, o impacto das novas gerações (especialmente a Geração Z) nas escolhas de consumo e a premiumização dos vinhos e espirituosas.

Houve espaço para explorar os desafios da inovação na mixologia, as oportunidades nos segmentos low e no alcohol e a forma como as marcas se estão a adaptar às mudanças nas formas de socialização.

Participar para conhecer e partilhar

A presença do Clube de Vinhos Portugueses teve vários objetivos. Por um lado, queríamos aferir a percepção sobre a importância deste evento para os produtores e agentes económicos que acompanhamos com maio atenção e proximidade, que são os produtores de vinhos de Portugal, por outro, pretendíamos experimentar as provas especiais e conversar diretamente com enólogos e responsáveis comerciais.

Logo pela manhã, as provas temáticas trouxeram a palco casas como Palácio do Buçaco, Dom Pérignon, Herdade da Malhadinha Nova, Kopke, Chryseia e Sogrape. Cada sessão foi conduzida por especialistas que apresentaram colheitas raras, abordaram métodos de produção e partilharam pormenores das suas regiões. Destacamos aqui as Masterclasses do Palácio do Buçaco gentilmente apresentadas pelo enólogo António Rocha que permitiu-nos uma viagem cuidada e uma oportunidade única de estar em contacto com este património histórico, depois o encontro com Carlos Alves Director de Viticultura e Enologia da KOPKE com nove momentos que se traduziram numa viagem de décadas, representando quase um século de história deste produtor de Vinho do Porto, e também se destacou a prova vertical Chryseia Prats & Symington, momentos e provas que surpreenderam, alinhadas com a expectativa que tínhamos, com excecionais notas de prova e impressões pessoais.

As Wine & Spirits Talks trouxeram debates estruturados sobre as categorias em risco, a evolução das formas de socializar e a preparação para consumidores mais jovens e conscientes. A intervenção sobre inovação e mixologia destacou a necessidade de equilibrar criatividade, rentabilidade e escala. Foi evidente que a transição para bebidas sem álcool ou com teor reduzido está a ganhar tração, mas sem eclipsar o vinho e os destilados de qualidade.

Aqui, a interação com os oradores permitiu-nos ter visões conhecedoras e consubstanciadas com quem anda no terreno e percebeu-se muito conhecimento e preocupação com o consumidor final e as tendências.

O cinema como cenário e metáfora

O tema desta edição “Cinema Edition” não foi mero pretexto estético. As salas foram decoradas com posters de clássicos, bobinas e projectores antigos. Cada marca adotou um filme como inspiração para o seu espaço expositivo: havia stands com referências a Casablanca, O Padrinho ou La La Land.

Esta ambientação deu um toque lúdico e, ao mesmo tempo, reforçou a ligação entre narrativa e experiência. Afinal, tanto o cinema como o vinho vivem de histórias, personagens e emoções, e ficou patente todo o cuidado que houve com detalhes para proporcionar a experiência aos participantes alinhados com o tema proposto para a edição deste ano.

Uma marca que valoriza o factor humano

Ao longo de mais de uma década, o Algarve Trade Experience consolidou-se como ponto de encontro estratégico do setor. Rita Soares, CEO da Garrafeira Soares, salientou que o certame reflete a capacidade de adaptação das marcas e que a edição deste ano transformou o evento num palco de negócios onde cada empresa pôde apresentar a sua visão de futuro.

Para nós, ficou claro que a organização alia uma logística impecável a uma cultura empresarial centrada nas pessoas. Este foco no factor humano, nomeadamente as pessoas que estão por trás de cada negócio, sejam clientes ou produtores, visível na forma como acolhe produtores de pequena e grande escala, fornecedores e também os clientes, cria um clima de cooperação e networking raro em eventos deste género.

Entre as conversas de corredor e as mesas redondas, percebeu-se a importância de cultivar relações de longo prazo. O evento serviu não só para conhecer novas marcas e tendências, mas também para reforçar parcerias existentes. Reencontrar personalidades do Vinho como David Baverstock é um “extra” incluído, que soma valor à interação memorável que é um hábito estar com este profissional (Enólogo) e agora também além de consultor soma-se a qualidade de produtor e com o qual estamos sempre a aprender e naturalmente é um privilégio.

O Algarve como plataforma estratégica

A localização em Albufeira pode não ser casual. O Algarve é a principal região turística de Portugal e uma das maiores portas de entrada de visitantes estrangeiros. Concentrando hotelaria, restauração e turismo internacional, oferece às marcas um palco privilegiado para mostrar os seus vinhos e destilados. A Garrafeira Soares aproveita portanto e bem esta dinâmica para posicionar o evento como maior certame de bebidas dedicado ao trade na região, atraindo nomes como Niepoort Vinhos e Symington Family Estates, entre outros que se juntam a esta visão.

O programa exigente, a ambiência cinematográfica e a qualidade dos participantes confirmam que o Algarve Trade Experience não é apenas uma feira; é um fórum onde se delineiam tendências, se debatem desafios e se fomentam negócios que impactarão o sector nos próximos anos. A nossa participação permitiu-nos comprovar, in loco, que a reputação construída pela Garrafeira Soares ao longo dos anos assenta num trabalho sério, criativo e fortemente assente nas relações humanas.

Regressámos com gosto, e começa a tornar-se uma tradição saímos da “Cinema Edition” com a certeza de que o futuro das bebidas em Portugal será construído com inovação, consciência e respeito pela tradição. O Algarve Trade Experience 2026 mostrou que é possível conciliar negócios, formação e cultura num mesmo evento, sem perder a alma.

Para o Clube de Vinhos Portugueses, foi mais uma vez um privilégio participar e poder contar esta história e rever as pessoas da Garrafeira Soares, que mais uma vez, estão de parabéns pelo trabalho que fazem e pela organização desta 11.º edição do Algarve Trade Experience.

Pela nossa parte, até à próxima.