Castas que contam histórias: Alvarinho, Touriga e o DNA da terra

Neste artigo, pretende-se abordar diferentes assuntos, contudo estão todos relacionados com dois elementos importantes no mundo do vinho português, castas e territórios, por isso vamos começar por iniciar uma introdução às castas portuguesas mais emblemáticas, segue-se a relação entre casta, terroir e identidade cultural.

Depois, no que se refere a castas, a uma importante casta da região dos Vinhos Verdes, o Alvarinho: o branco que fala galego e português.

Segue-se a nossa casta rainha, a Touriga Nacional: força, perfume e estrutura.

Haverá lugar, claro, a outras castas que merecem lugar à mesa e porque o mundo começa a escutar as nossas uvas.

A terminar, a biodiversidade como trunfo vitícola nacional e as harmonizações emocionais, não só gastronómicas, e naturalmente o papel do viticultor como contador de histórias.

Em suma, o que se pretende concluir, beber castas é beber territórios.

Uvas que sabem falar

Há uvas que crescem. E há uvas que contam histórias. Em Portugal, cultivar uma casta é como manter viva uma língua antiga.

Cada bago transporta não só sabor, mas memória, geografia e até política. É por isso que, quando falamos de Alvarinho ou Touriga Nacional, falamos também de identidade.

A uva como extensão da paisagem

As castas portuguesas não foram importadas, foram esculpidas pela terra. É no norte húmido, no centro granítico ou no sul escaldante que cada variedade se molda ao ambiente, criando uma relação simbiótica com o clima, o solo e a cultura local.

Alvarinho: a frescura atlântica em forma líquida

Vinda do Minho e com raízes partilhadas com a Galiza, a Alvarinho é mineral, vibrante e cheia de tensão. Um vinho que refresca, mas também emociona. Tem algo de mar e de serra, de pedra e de fruta. Ideal para dias quentes ou para quem precisa de lembrar o que é leveza.

Castas que contam histórias Alvarinho, Touriga

Castas que contam histórias Alvarinho, Touriga

Touriga Nacional: a rainha com perfume e músculo

Ninguém passa por ela sem notar. Escura, densa, aromática, a Touriga Nacional é o orgulho do Douro e do Dão. Dá vinhos com estrutura, mas também com floralidade. Rosa, violeta, bosque. Uma uva que parece rude por fora, mas poética por dentro.

Outras castas que merecem o palco

  • Baga (Bairrada): ácida, tensa, nervosa, mas de enorme elegância
  • Encruzado (Dão): branca de textura cremosa e aromas subtis
  • Trincadeira (Alentejo): difícil de domar, mas cheia de carácter
  • Antão Vaz (Alentejo): ensolarada, com corpo e volume

Uma língua que o mundo começa a entender

Durante muito tempo, só os portugueses conheciam estas uvas. Hoje, cada vez mais sommeliers internacionais se rendem à autenticidade das castas nacionais. Não são fáceis, não são genéricas. E talvez por isso encantem: têm sotaque.

A biodiversidade como manifesto

Portugal é um dos países com maior diversidade vitícola do mundo. Mais de 250 castas autóctones catalogadas. Isso é mais que uma estatística: é um manifesto. Um compromisso com a diferença. Com o não copiar. Com o ser.

Harmonia que vai além do prato

Claro que um Encruzado acompanha bem um queijo de cabra curado. Mas e quando acompanha uma memória? Uma paisagem? Um reencontro? As castas portuguesas não harmonizam só com comida, harmonizam com estados de espírito.

Quem planta histórias, colhe identidade

O viticultor português não é apenas agricultor. É guardião de um património invisível, que vai muito além da videira. Cada talhão é uma estrofe. Cada vindima, um capítulo. Cada garrafa, uma antologia.

Beber o lugar

Beber um vinho português feito com castas autóctones é mais do que degustar um líquido: é provar uma geografia. É um ato de resistência cultural num mundo cada vez mais padronizado. E é, acima de tudo, uma forma de celebrar quem somos.

Castas nacionais como Alvarinho e as Tourigas.

Castas nacionais como Alvarinho e as Tourigas.

FAQ

  1. O que são castas autóctones?

São variedades de uvas originárias de uma determinada região ou país, com características únicas adaptadas ao seu terroir.

  1. A Touriga Nacional é usada apenas no Douro?

Não. Apesar de ser emblemática do Douro, é usada em várias regiões, inclusive no Dão e em blends nacionais.

  1. Alvarinho e Albariño são a mesma casta?

São geneticamente muito próximas e partilham origem. O nome varia entre Portugal e Espanha.

  1. Qual a vantagem da diversidade de castas?

Permite vinhos únicos, adaptados a diferentes climas e estilos, e protege o país contra doenças e pragas específicas.

  1. Onde posso provar vinhos de castas autóctones?

Nos próprios produtores, em wine bars especializados, e cada vez mais em cartas de restaurantes dentro e fora de Portugal.

Este artigo teve o patrocínio da Made in Portucale.