Vinhos que contam o tempo – o envelhecimento como metáfora de vida

Neste artigo escrevemos sobre a ideia do vinho como ser vivo, nomeadamente o que acontece num vinho quando envelhece. Vinho e memória, o envelhecimento em barrica vs. garrafa, os Vinhos para guardar e para descobrir, o valor do tempo bem passado e como provar um vinho com história.

Conclusão, a emoção de abrir uma garrafa antiga, o paralelo com o envelhecimento humano, porque no final do dia, o tempo também se bebe.

O tempo engarrafado

Quando dizemos que um vinho está a envelhecer, dizemos que está a mudar, a aprofundar, a arredondar, a escurecer. Como nós. O vinho que envelhece bem não se apaga, ganha rugas que contam coisas. Aromas que só o tempo sabe dizer.

A barrica como berço

No estágio em madeira, o vinho aprende a respirar devagar. A barrica dá-lhe contorno, afina-lhe os silêncios. Depois, na garrafa, o vinho sonha. Dorme. Transforma-se. Não se trata de esperar, trata-se de evoluir, portanto uma coisa é certa, se o Vinho tiver qualidade e capacidade para o efeito pode evoluir em garrafa e em barrica.

Abrir um vinho antigo é abrir um ano

Uma garrafa com mais de dez anos não traz só vinho. Traz o clima daquele ano, o gesto de quem o fez, a emoção de quem o guardou. É um envelope com cheiro a memória. Eu, João dos Santos Alves, enquanto modesto enófilo, guardei até o ano passado 12 garrafas de 1975, algumas tiveram comigo mais de duas décadas e o ano passado abri as todas, foram na maioria dos casos uma experiência individual, nem todos evoluíram do mesmo modo, assim como nós, acontece o mesmo.

Mas não se iludam, nem todos evoluem bem, aquele adágio popular “eu sou como o Vinho, quanto mais velho melhor”, não é linear, tanto no vinho, como é nós.

Guardar é um ato de amor

Nem todos os vinhos devem ser guardados, mas os que devem, agradecem. Envelhecer bem é sinal de estrutura, mas também de alma. De propósito. E de quem teve paciência para esperar.

O vinho como espelho

Provar um vinho envelhecido é como olhar uma fotografia antiga. Vemos o que mudou, sentimos o que ficou. E às vezes, encontramos nele um reflexo de nós próprios, mais maduros, menos urgentes, mas ainda capazes de surpreender. Quem ainda não fez, fica a dica, quando gostarem de um Vinho e o produtor até informa que o Vinho tem potencial de guarda, reservem umas garrafas, 2, 3 ou meia dúzia e nos anos seguintes, vão abrindo em momentos especiais ou só porque sim, e vão passar por uma experiência de ver os anos passar enquanto bebem um copo, e vão depois consoante os anos passam perceber o que muda e o que sentem de diferente.

O tempo também se bebe

O vinho ensina-nos a respeitar o tempo. A vê-lo não como inimigo, mas como artesão. E a perceber que talvez, como os grandes vinhos, nós também estejamos a ficar melhores com o tempo.

Vinhos que contam o tempo

Vinhos que contam o tempo

FAQ

1. Todo o vinho envelhece bem?
Não. Só vinhos com estrutura, acidez e equilíbrio envelhecem com qualidade, portanto nem todos os vinhos tem a capacidade de guarda.

2. Qual a diferença entre envelhecimento em madeira e em garrafa?
A madeira afina, a garrafa aprofunda. São etapas complementares.

3. Como guardar um vinho para envelhecer?
Deitado, em local fresco, escuro e com pouca oscilação de temperatura. Locais secos, sem cheiros, sem luz, fresco são os sítios mais apropriados.

4. Vale a pena investir em vinhos de guarda?
Sim, se tiver paciência e curiosidade.

5. Como saber se um vinho antigo está bom?
Abrindo, cheirando, provando. Às vezes é risco. Mas quando vale a pena, vale tudo.