VAI COM VINHO

VAI COM VINHO Nº15 por Tristão de Andrade

Vai com VINHO 15

O vinho só tem lado bom ainda que conceda ao espírito humano a liberdade de o usar no seu mundo negro. Falo de excesso. De consumo sem cuidado ou contenção.

 

O vinho leva ao céu mas também atira ao chão.

 

Nunca é demasiado lembrar os efeitos das más decisões. Há quem se afogue em vinho à procura de soluções e nada acontece, nada se resolve. Só um coração que depressa esquece e dissolve o seu real problema. Mais um julgamento onde se absolve o culpado original.  Mais um suspiro cansado que mais tarde irá incriminar o vinho pelas desgraças. Mais umas horas passadas à volta de um copo sempre cheio, horas de recreio que fazem lembrar a rebeldia dos meninos da primária.

Instantes de ordinária forma de ser. Vulgar diria. O desastre a acontecer. Sem requinte ou cortesia. Sem elegância ou poesia. Só consumo em excesso, exagero nas palavras, intemperança nos olhares e nos gestos. Braços que se abrem não para abraçar mas antes para gesticular e atirar coisas vãs.

 

Depois vêm as manhãs.

 

Quando o dia começa a raiar, a amanhecer, o corpo a reclamar, a cabeça a estremecer e o arrependimento ali ao nosso lado. A sombra que nos irá seguir pelo dia inteiro, o diabo que se veste dessa maneira para nos recordar o excesso, o convidado que trouxemos do lado negro. A ressaca. O culpado confesso de um crime que acabou de acontecer.

 

“Porque é que eu tive de beber?”

 

Começou como sempre começa. Pé após pé, sem pressa, e faz-se a estrada toda. E para onde nos leva esse caminho? Depende. Afinal o que levamos na mão? Uma arma. Nada se resolve à lei da bala. Que lado obscuro vive em nós e nos conduz às estradas do excesso? O convite para um copo? A disponibilidade? A acessibilidade? A facilidade?

 

Por mais que se inventem teorias ou conspirações, por mais leis que se façam aprovar ou proibições nunca é pouco lembrar que o vinho é perfeito, que não tem lado mau ou negro. Esse lado vive no espirito humano, reside na nossa alma, contribui para as decisões boas e más. O vinho é a balança com o seu fiel. É a abelha que nos dá o mel, a estrada de luz que nos liberta e conduz até à felicidade. O vinho pode ser tudo e até o farol da verdade. A maçã que nos define porque o vinho não embebeda; a cobra está no álcool.

 

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