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A fabulosa origem do Xerém Algarvio

A fabulosa origem do Xerém Algarvio

A fabulosa origem do Xerém Algarvio

Para se contar a fabulosa origem do Xerém Algarvio, e como qualquer prato tradicional português, resulta de necessidades.

Ora estamos em período de plena 2ª Guerra Mundial, especialmente o interior onde quase tudo faltava, em relação às cidades e zonas litorais.

A fabulosa origem do Xerém Algarvio 2
Farinha de milho, a base deste prato

Nas faldas das Serras de Monchique e Caldeirão, os habitantes tinham sempre o seu cantinho, do qual mesmo a custo se conseguia subsistir.

Assim, A fabulosa origem do Xerém Algarvio começa por nascer desta necessidade.

Se nas serranias o milho e carne eram obtidos, o litoral capturava peixe e apanhava bivalves.

Outros bivalves além de ameijoa

Ao Xerém dava-se também o nome de Papas de Milho, que eram muito conhecidas.

Mesmo sem os requintes atuais, eram as delícias de comensais mesmo estrangeiros.

Tem um diálogo popular, no qual uma dama casadoira fazia assim a corte ao rapaz de quem gostava:

Ó Zé, vais a palitar os dentes? O que comeste hoje?”
Ele, sem se deter responde:
“Bife! O que querias que fosse?”
E ela, marota, logo retorquiu:
“Bife de papas?”

ate podem acompanhar umas sardinhas assadas
O Xerém ou Papas de Milho podem até ser um acompanhamento de sardinhas assadas, por exemplo

Em suma, o Xerém, é a identidade do desconhecido Interior Algarvio.

Longe de se entender a região limitada a Sol e Mar; muito mais tem a descobrir.
A fabulosa origem do Xerém Algarvio é tão fantástica, que deambulou e é confecionado quer em Cabo Verde quer no Brasil.

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Pode levar enchidos

Porventura por força, quer da população piscatória que preparava esta iguaria e ia até águas tropicais no Atlântico.

Este mesmo prato foi de certa forma, exportado para o Brasil, onde cada zona tem uma variante.

É quase como as pizzas; cada região, cidade e canto de Itália tem a sua nuance.


Receita

A fabulosa origem do Xerém Algarvio 2

Ingredientes

  • 1 kg de amêijoas ;
  • 100 grs de toucinho fumado ;
  • 100 grs de chouriço ;
  • 100 grs de presunto ;
  • 200 grs de farinha de milho ;
  • 1 dl de vinho branco ;
  • sal q.b. ;
  • pimenta q.b.

Preparação

Numa tigela lave as amêijoas, de preferência médias e «cristãs», em água fria, a fim de as libertar de impurezas que possam conter.

Em seguida, cubra-as com água do mar, cerca de 4 a 5 horas.

No caso de não ter acesso a água do mar, utilize água doce temperada com sal.

Corte o toucinho e o presunto em tiras pequenas e o chouriço ás rodelas.

Frite-os numa frigideira, em lume brando.

Retire as amêijoas da água.

Coza-as num tacho, cobertas de água, cerca de 8 a 10 minutos.

Escorra o líquido onde as cozeu, tendo o cuidado de o passar por um passador fino.

Tire o miolo das amêijoas.

Deite este num tacho, junte o caldo da cozedura, adicione o vinho e leve ao lume, deixando ferver um pouco.

Peneire a farinha com a ajuda duma peneira.

Retire o tacho e, fora do lume, adicione a farinha para não encaroçar.

Leve novamente ao lume e deixe cozer, mexendo de vez em quando.
Junte as carnes e sirva bem quente.

Conselho:

As carnes a utilizar deverão ser dessalgadas antes da sua utilização, mergulhando-as em água fria, cerca de 3 a 4 horas, devendo as mesmas, tal como a farinha, serem do tipo caseiro.

Ficheiro para download

Xerém à Algarvia – PDF


Harmonização (Wine Pairing)

Temos um prato à base de milho que é oleaginoso, seco, ligeiramente doce e com as carnes torna-se pesado e intenso.

Requer vinhos estruturados, com madeira de preferência, algum tanino, macios quanto baste e frutados.

Em alternativa para fazerem contraste, pode optar por vinhoxsextremamente leves, para quem gostar de agri-doce.

Vinhos recomendados


A fabulosa origem do Xerém Algarvio, representa um prato que merece ser preparado.

Ou provado na própria região, especialmente em zonas serranas.

Abrolhamento em Negra Mole no Algarve
Abrolhamento em Negra Mole no Algarve

Um brinde ao Algarve !

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